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Tudo bem, o Oscar é o que há de mais badalado no cinema: tem as atrizes, a festa, é o palco do ato final de “Corra Que a Polícia Vem Aí 33 e 1/3″… mas na verdade o que os produtores realmente querem é dinheiro, grana, tutu, gaita, bufunfa, e não uns homenzinhos dourados e pelados – a menos, é claro, que um desses que o Shyamalan não ganhou tenha mais valor do que os mais de seiscentos milhões de dólares arrecadados mundialmente por “O Sexto Sentido”.

Pensando nisso, compilei uma lista daqueles que disputarão o “inexistente” prêmio Bilheteria do Ano, ou seja, o blockbuster mais lucrativo da temporada (claro, alguns ignorados aqui poderão até se dar melhor graças às vendas do DVD, mas isso é papo de perdedor):

300
A gurizada do cuecão de couro começou bem, arrasando persas e bilheterias ao redor do mundo (embora o filme não seja grande coisa, como já falei), e não só fez mais dinheiro devido à censura alta. Mas podem ter certeza: enquanto os espartanos jantam no inferno, os produtores estão nas nuvens. Em cartaz.

Homem-Aranha 3
Os primeiros filmes do cabeça-de-teia foram sucesso absoluto de público e crítica, e agora ele está de volta com dois vilões (no melhor estilo “Batman dos anos 90”), duas minas gatas e um uniforme que é a versão aracnídea da camiseta Shadow do Grêmio. Resta saber se com tantos efeitos especiais e divulgação sobrou dinheiro no orçamento para uma boa história. Estréia dia 04/05.

Piratas do Caribe – No Fim do Mundo
Aventura, humor, ação, romance, Keira Knightley molhada (eu disse Keira Knightley molhada!) e Jack Sparrow o Capitão Jack Sparrow são as apostas da Disney para liderar as bilheterias. Pesa contra só o fato de que o segundo filme deixou muitas amarras soltas e… bem, digamos que não seria legal se acabasse como um “Matrix Revolutions”. Mas confio no diretor Gore Verbinski, e aposto nos piratas como o blockbuster do ano, tanto em dinheiro como em qualidade. Estréia dia 25/05.

Shrek Terceiro
Shrek vira rei na animação, mas quem veste os louros é o pessoal da Dreamworks, que já tem no segundo filme a sexta maior bilheteria da história e busca mais uma boa colocação. Estréia dia 15/06.

13 Homens e um Novo Segredo
O bando de assaltantes está de volta, liderado mais uma vez pela impagável dupla George Clooney/Brad Pitt – mas dessa vez o buraco é mais embaixo, porque do outro lado estáninguém menos que Al Pacino (é bom lembrar que ele já foi um Godfather, portanto tem a manha nesse tipo de situação). Estréia dia 29/06.

Quarteto Fantástico 2
O primeiro filme teve efeitos especiais, piadas bobas e uma loira gostosa – ou seja, tudo que um blockbuster adolescente precisa. Inevitavelmente vem a continuação, com mais efeitos, mais piadas bobas, a mesma loira gostosa e o Surfista Prateado que, aposto, muita gente vai achar cópia do “Homem de Gelo” dos X-Men. Estréia dia 29/06.

Ratatouille
Desenho da Pixar = história boa + milhões de dólares arrecadados. Estréia dia 06/07.

Harry Potter e a Ordem de Fênix
O quinto filme chega junto com o lançamento do sétimo livro (mas vai sair primeiro). Na história, o trio principal vai se complicar com a segunda aparição de Voldemort, que deseja matar o bruxo, dominar o mundo e todas essas coisas de vilão. Estréia dia 13/07.

Transformers
O desenho era ducaralho, e certamente um filme sobre os automóveis mutantes tem capacidade para se transformar (com o perdão do trocadilho) na grande produção do ano. O problema na real está atrás das câmeras: com Michael Bay, pode-se esperar fotografia bonita, câmera lenta, explosões e… e.. e é isso. Estréia dia 20/07.

Simpsons – O Filme
Estréia dia 17/08 (não preciso dizer mais do que isso, certo?).

Sin City 2
Mais violência estilizada, frases de efeito, bom uso das sombras e horas na sala de edição, by Robert Rodriguez e Frank Miller. Estréia dia 12/10.

I Am Legend
Will Smith em uma ficção apocalíptica cujo orçamento é maior do que o PIB de alguns países. Sucesso. Estréia dia 23/11.

A Bússola Dourada
Adaptação da coleção de livros Fronteiras do Universo, de Phillip Pullman, sobre um universo paralelo onde uma garota se encontra com criaturas assustadoras. Também conhecido como “síndrome cinematográfica pós-Senhor dos Anéis”, conta com Nicole Kidman, o 007 e o Hulk no elenco. Estréia dia 25/12.

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Mata-Mata

Já estão definidos confrontos, cruzamentos, mandos-de-campo, etc. da maior competição das américas. Agora é pra valer! O Cataclisma traz para seus leitores a chave da fase quente do torneio.

Santos X Caracas
Colo Colo X America
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Toluca X Cucuta
Necaxa X Nacional
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Flamengo X Defensor
Imortal X São Paulo
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Libertad X Parana
Velez X Boca
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Com vocês, futebol:

AA

Vi um anúncio que tinha o desenho de um farol meio estilizado e, de cara, me lembrei que aquela cena era o DISTINTIVO de alguma produtora de cinema (aparecendo de vez em quando antes do filme começar). E, sem pesquisar, sabia que pertencia à Castle Rock Entertainment.

Somando isso ao fato de que posso citar de cor a escalação do Manchester United (pra não dizer vários outros times/seleções europeus) e que se eu souber mais do que cinco capitais de estados brasileiros é um exagero, faço a pergunta: isso é normal?

Abençoado

Jogo 6/14
Grêmio 1 x 0 Cerro Porteño
Estádio Olímpico Monumental, Porto Alegre
Gol: 24’2T Éverton (Grêmio)

A classificação já era esperada. Afinal, tem time que não nasceu para ser coadjuvante e o Grêmio cumpriu sua obrigação. Mas ela foi sofrida: chegando na última rodada, precisando vencer, sem poder pensar em qualquer coisa diferente de uma vitória. Fase sofrida, este ultimo jogo, nem tanto…

A partida começou como a maioria dos jogos dessa campanha de Libertadores, com o Tricolor fazendo as coisas ficarem mais dificeis do que realmente são. Mas nesta noite havia algo de diferente, os jogadores se mostravam serenos, com a consciência de que realmente tinham capacidade de superar mais esse obstaculo.

Só que as vezes serenidade demais atrapalha. A primeira meia hora de jogo caminhou da seguinte forma: Sabiamos que conseguiriamos, só não sabíamos exatamente como.

Aos 31 do primeiro tempo, o lance que mudou o panorama do jogo. Falta para o Grêmio, bola na área, cabeçada e GOOOOOOL! Tinhamos o que precisavamos! A vantagem era nossa! Foi nossa. Foi por uma fração de minuto até uma bandeira quadriculada ser percebida em riste, abafando o grito de 45 mil pessoas. Impedimento mal marcado que nao impediu o time de retomar o espírito brigador que sempre o empurra para conquistas inimaginaveis (o que nem era o caso da desta noite) o time agora ja sabia como fazer. Acordou, foi pra cima, sufocou o adversario que só fazia se defender expremido em um canto.

Mas o Cerro continuava cerrado. E as duas eliminações de Libertadores sofridas para paraguaios no Monumental começavam a passar pela cabeça de muitos dos 45mil que nao deixavam e cantar um segundo sequer.

Foi então que o dito retranqueiro Mano Meneses colocou o jovem e abençoado atacante Everton em campo. Sua primeira participação no jogo já foi descrita neste texto, mas eu repito: Falta para o Grêmio, bola na área, cabeçada e GOOOOOOL! Tinhamos o que precisavamos! A vantagem era nossa!

Entramos raspando, mas é melhor entrar raspando do que bater na trave. Daqui pra frente, o torneio que é a nossa cara vai incorporar a fórmula que é a nossa cara. Semana que vem começa o mata-mata, Kleiton na ida e André na volta, vejo vocês nas quartas-de-final.

(na minha visão gremista e parcial)


O Grêmio é agora o único representante gaúcho na Libertadores 2007. Ao vencer o Cerro Porteño, o tricolor garantiu sua participação nas oitavas-de-final. O problema é que parecem querer tapar o sol com a peneira no Olímpico. Digo isso menos por ser colorado do que por qualquer outra coisa, mas está se tentando criar um clima que, na realidade, não existe lá pela Azenha.

Vejamos: o Grêmio, a vitória “heróica” de sexta (4 a 0 no Caxias), que remeteu à Batalha dos Aflitos, evocou o espírito do time que vence nas condições mais impossíveis, etc. Até aí tudo bem, esse espírito parece ser legítimo. Agora, travestir a vitória sobre o Cerro com esse caráter milagroso é palhaçada. O tricolor conseguiu se complicar num grupo fácil, não conseguiu ganhar nenhum jogo por mais de um gol de diferença – parece até uma versão brasileira do saudoso Once Caldas – e se complicou inclusive nessa última partida, em casa, contra um adversário desqualificado (basta lembrar um lance ocorrido aos 40 do segundo tempo, quando Everton chutou, o goleiro paraguaio rebateu e um zagueiro foi dominar a bola e a colocou toscamente para a linha de fundo e você vai concordar com o “desqualificado”).

Mas, enfim, o Grêmio ganhou e passou de fase, e é isso que importa. Além disso, é digno de nota o comportamento da torcida, lembrando os melhores momentos das torcidas argentinas. Uma pena que a equipe que ela empurra não pareça merecer tamanha devoção, a não ser no Gauchão ou na Série B do brasileiro.

(na visão colorada e parcial do Valter)

Long live blog!

O termo foi cunhado em 1997, por Jorn Barger, e hoje o número de veículos / diários / produtores de baboseira na web com esse formato chegam a 73 milhões no mundo todo. Os blogues tornaram-se os porta-vozes dessa web 2.0, que envolve participação do usuário, atualização em tempo real e pluralidade de informação, entre outras coisas.

No que diz respeito à participação do usuário, ela vem ganhando cada vez mais importância no cenário web. Basta dar uma olhada no Tá tudo interligado de ontem pra ver que o USA Today abriu espaço para comentários dos seus leitores. Assim, o site vira um grande blogue, cada notícia do site se transforma num post e todo mundo pode comentar – questione-se ou não a qualidade dos comentários, o fato é que, nessas ciscunstâncias, o leitor vira autor, podendo contribuir com o conteúdo.

A facilidade de atualização trazida por ferramentas como o Blogger permitiu que os blogueiros se aproveitassem disso para transformar os blogues em veículos de comunicação em tempo-real. Aconteceu alguma coisa, já tá em algum blogue por aí. Como bom quase-viciado em futebol que sou, não posso deixar de lembrar dos minuto-a-minuto do Impedimento, verdadeiras pérolas (não encontrei nenhum pra lincar, por favor, se manifestem).

Mas a pluralidade da informação é o que mais me entusiasma na blogosfera. Não fosse essa possibilidade, nunca teríamos a visão do Baghdad Burning sobre a invasão americana no Iraque, por exemplo. Escrito por Riverbend (pseudônimo), nos dá um tipo de informação que não passa pelo filtro da imprensa tradicional, um tipo de informação extremamente parcial, mas de uma parcialidade à qual não teríamos acesso não fosse o desenvolvimento do ambiente dos blogues. E essa possibilidade é fantástica.

Enfim, não foi à toa que os blogues cresceram, e ainda vão crescer mais, por tudo isso que eu falei acima. Vida longa ao blogue. Principalmente ao nosso.

Rapidão

Pela falta de tempo, hoje vou apenas comentar algumas notícias interessantes que vi esta semana sobre internet e tudo que tá interligado.

• G1 testando comentários
O G1, portal de notícias da Globo, quer ficar mais participativo: está em testes para abrir espaço de comentários dos internautas. Na teoria, isso significa que o portal passaria a funcionar como um grande blog, onde cada notícia é um post. Assim, seus leitores deixariam de ser passivos e poderiam comentar os conteúdos publicados, gerar discussão, criticar, sugerir outros links, etc. Por enquanto, devem estar em fase de testes, pois vi apenas algumas notícias da editoria de Tecnologia aberta para comentários (e com moderação). Mesmo assim, uma ótima iniciativa. Mais alguns recursos web 2.0 e eles alcançam os pés do USA Today.

• Google matando a pau
Primeiro veio a notícia de que o Google comprou a DoubleClick (por U$ 3 bilhões em dinheiro!) e se tornou o maior veículo de publicidade on-line do planeta. Depois, a divulgação de um estudo da Millward Brown, apontando que o Google ultrapassou Coca-Cola e Microsoft, e se tornou a marca mais valiosa do mundo. É impressão minha ou essa história de que os caras estão dominando tudo já está ficando muito clichê?

Aneel pretende regularizar BPL
Internet banda larga pela rede elétrica: como puderam demorar tanto? É a rede mais antiga e mais difundida que existe, e está ao alcance de quase todas as classes sociais. Não sei quanto tempo levou para se desenvolver a tecnologia, mas podiam ter investido nela primeiro antes de perder tempo instalando fio de telefone e cabo de TV pra tudo que é canto… não?

Mágica

Todos os Corações do Mundo (Two Billion Hearts)
5/5

Direção: Murilo Salles
Roteiro: Deuses do Futebol

“It’s not the game. It’s the people.”

“Todos os Corações do Mundo” é o filme oficial da FIFA sobre a 15ª Copa do Mundo, realizada nos Estados Unidos em 1994.

O torneio mais importante do esporte mais popular do mundo. Ao contrário das atuais “Copa Fair Play”, em 1994 bonito era dar sangue e suor pelo seu país. Afinal, é o mínimo que a torcida espera. A festa é de todos.

Consciente disso, o diretor Murilo Salles não aponta suas câmeras apenas para o campo: faz da torcida uma personagem importante (desnecessário dizer que aparece alguém com a camiseta do Grêmio, né?), desde a gritaria nos estádios até a tristeza na casa do goleiro Preud’homme, passando pela bela Amsterdam e mostrando a desolação de Roma. Os comentaristas dão lugar a fãs, e os “comentários técnicos” são substituídos por gritos, provocações, reclamações e cantos inspirados. Está criado o clima, uma vez que cada pequena drama de um torcedor é igual ao nosso.

Já dentro das quatro linhas, a equipe extrai o máximo possível de seu equipamento, arrancando closes de gestos, nuances dos dribles, das comemorações. Não se resume à Tele Cam do FIFA e dos replays comuns, buscando a dramaticidade de cada ação: o beijo de Pagliuca na trave; o indiscutível pênalti a favor da Bulgária não marcado na semifinal; a bicicleta de Balboa; a cobrança de falta perfeita de Stoitchkov. Ao invés de mostrar todos os gols, aposta nos eventos que teoricamente não são tão importantes, mas ajudam a construir o esporte e que ficam na memória (tem como esquecer a extravagância do goleiro Ravelli?). Somado a isso, surgem as belas escolhas de enquadramento e movimentos de câmera (quando a situação permite, claro), como o sensacional plano onde Brasil e Itália estão prestes a entrar em campo na final e Romário, em primeiro plano, é observado por Baggio ao fundo. Ou aquele que acompanha a entrada do time búlgaro antes da partida contra a Alemanha, pelas quartas de final: quase grudada nas costas do último jogador, a imagem não mostra quem está entrando pois no vestiário há pouca luz. Somente quando o campo surge e o sol aparece é que podemos ver, nas costas, o número oito com “Stoitchkov” escrito em cima.

Outro ponto que merece destaque é o texto da narração, nem jornalístico demais nem poeta demais (como o Pedro Bial na última Copa). É um texto apaixonado por futebol, seja para definir os confrontos com elegância(“A Argentina é o passado, o presente, o futuro. A Nigéria, apenas o futuro. E não é bobo.”, no momento que a Nigéria sai na frente dos hermanos), explicar situações (“O pênalti é uma sentença de morte na qual a vítima quase sempre é o carrasco”) ou apresentar jogadores (“…jogador da linhagem dos canhotos históricos”, sobre o romeno Hagi). Existe claramente uma admiração por todos os aspectos do jogo, revelando a intensidade dos sentimentos que esse esporte proporciona (“A Espanha se recolhe a uma longa noite de tristeza. Uma noite que irá durar quatro longos anos”). Peço licença para citar minha parte favorita: o número dez da Romênia avança com a bola, enquanto o narrador fala “A bola corre aos pés de Hagi. A bola corre com os pés de Hagi”. O jogador enquadra o chute e bota a pelota no fundo da rede, saindo para comemorar enquanto a torcida grita “HAGI! HAGI! HAGI!” e o narrador completa: “A festa é dele”. Arrepiante.

Com uma montagem eficiente, que imprime ritmo através das ótimas transições entre as seleções (“Win Germany…?”), os letterings inspirados (“Brasil: tática. Disciplina. Talento. Concentração. Romário.”) e os cortes rápidos (muitas vezes em sincronia com a narração ou provando o contrário do que um torcedor afirma), o filme torna-se dinâmico, e os 108 minutos passam rapidamente. A trilha se divide bem entre o empolgante e o emocionante, aumentando o drama e o suspense conforme o que está acontecendo, e a edição se puxa tanto em alguns momentos que é possível ficar nervoso antes do último pênalti ser batido. Mesmo sabendo o desfecho.

Romário, Hagi, Baggio, Stoitchkov, Taffarel, Klinsmann, Maradona, Raduciou, Mathaus, Okocha, Letkov, Batistuta, Preud’homme, Maldini, Brolin, Jorge Campos, Dumitrescu, Bebeto, Baresi, Ravelli, Balakov, Voeller, Caminero e muitos outros. Todos heróis, forjados dentro das quatro linhas. Sabendo que a Copa do Mundo é o palco principal, proporcionaram um espetáculo de superação, raça, técnica, categoria e habilidade. Um torneio inesquecível que, registrado sob a lente de cineastas-torcedores, torna-se uma apaixonada declaração de amor ao futebol.