TV Digital à moda da casa

Pois é, cada vez mais se fala de TV digital no Brasil. Com propagandas engraçadinhas na TV, o ministro Hélio Costa tá tentando nos convencer de que (1) a escolha pelo modelo japonês foi realmente a melhor opção e que (2) isso traz uma revolução na forma como as pessoas vão assistir à TV.

Bueno, a gente sabe que a tendência clássica, no Brasil, é de fazer a coisa “do jeitinho brasileiro”. Nós pegamos a culinária japonesa e fizemos sushis sem peixe nem algas, pegamos o country americano e transformamos num pseudo-country caipira em Barretos, pegamos a democracia e transformamos nisso que temos hoje em dia. Já estamos acostumados, e provavelmente nos acostumaremos a essa “nova” TV.

Na verdade, a cagada já tá feita. O modelo japonês, escolhido pelo governo, favorece os grandes grupos de mídia, mantendo a concentração da informação nas mãos de alguns poucos. Para esclarecer um pouco mais o assunto, o TV Digital no Brasil é um bom começo. Mesmo com o aumento da capacidade do espectro, a oferta de conteúdo deve continuar com os mesmos de sempre, o que é uma grande chance perdida para pluralizar a informação. Lobby é lobby, não adianta.

Mesmo às vésperas do “lançamento” da TV digital, algumas coisas ainda não estão bem claras. E apesar do discurso otimista do governo e da Globo, de novo ficaremos contentes com a mediocridade daquilo que podia ser mas não é, tudo porque o poder público tem medo de enfrentar os conglomerados de comunicação.

Coisas de Brasil.

Há dois anos

E aí vem a vida, com toda sua imprevisibilidade, toda sua capacidade de nos deixar boquiabertos, e joga um show do Pearl Jam em Porto Alegre. Aqui mesmo, em Porto Alegre, que costuma ser ignorada pelos grandes shows internacionais.

Mas não dessa vez. Dessa vez, no meio da multidão, estava eu, acompanhando de perto a banda mais foda que já ouvi. Soam os acordes, as notas, e a gente chega a explodir por dentro, pois a intensidade do momento é tanta que ele simplesmente te envolve e te transforma em emoção pura. E um dia, quando o pessimismo for a religião do mundo, eu poderei me levantar e dizer “sonhar é uma coisa boa – se vocês duvidam, eu tenho a prova: dia vinte e oito de novembro do ano de dois mil e cinco”.

Porque não existe sensação melhor no mundo do que cantar com o coração na boca.

26.11

Há dois anos, minha noção de possível se ampliou exponencialmente.
Há dois anos, meu conceito de épico se concretizou definitivamente.
Há dois anos, gritei mais alto do que nunca. Com todas as letras, por um tempo incalculável. GOL DO GRÊMIO.
Um feliz Dia Oficial da Raça Gremista a todos.

Com vocês, outra coisa:

Seguir a correnteza

Acho legal aquelas correntes que passam de blog em blog, do tipo “Cinco coisas que eu odeio”, e aí a pessoa indica cinco outros blogueiros pra responder o mesmo, que indicam outros cinco, e assim por diante. Tá, pode até ser meio bobo, mas eu gostaria de participar e vivo pensando no que responderia.

Digo isso porque nunca fui convidado para tal atividade. Mas, ao invés de ficar chorando e lamentando o leite derramado, como os colorados fazem desde 2005, resolvi criar a minha própria corrente. Isso mesmo, sou um homem de ação, então aqui está a nova corrente Cinco coisas que eu sei fazer e todo mundo também sabe:

1 – Correr atrás do ônibus: Junto com o futebol, é o esporte mais popular do Brasil. O legal é que correr atrás do ônibus é uma arte: o cara começa com passos ritmados, cadenciando o jogo. Conforme a posição em que o veículo se encontra, ele calcula o tempo e aumenta/diminui o esforço, podendo chegar até um sprint final para alcançar o ônibus um segundo antes da porta fechar e levando a galera da parada ao delírio;

2 – Quebrar copos: Hoje em dia o pessoal se espanta quando encontra uma pessoa de 18 anos virgem. Que nada, incrível mesmo é encontrar alguém que tenha chegado aos 18 anos sem quebrar um copo. Talvez porque isso seja uma metáfora da sociedade atual: a pessoa tá lá, tirando a mesa depois do almoço, pega os talheres, o prato, o pote com a salada e percebe que dois dedos da mão ficaram livres. Instintivamente resolve carregar o copo junto, para não precisar fazer duas viagens, e aí o fato é consumado – ou seja, enquanto humanos, tentamos fazer as coisas apressadamente e de qualquer jeito, ao invés de ter paciência e fazer do jeito certo. Por isso, vivemos quebrando a cara.

3 – Precisar de dinheiro: Não ter dinheiro é um problema grande. Agora, não ter dinheiro e viver precisando dele é algo realmente chato. Tipo, pra qualquer lugar que o cara vá ele sempre acaba precisando de mais do que tem, e isso cria um efeito dominó que atinge todas as atividades subsequentes, deixando o sujeito em questão sem grana pra voltar pra casa. A solução seria passar por baixo da roleta do ônibus, mas a partir de um metro e setenta de altura a coisa começa a complicar.

4 – Fingir que estou doente: Apertar os olhos, dar umas tossidas de vez em quando, falar de forma arrastada… tudo isso e muito mais é um conhecimento que, desde os tempos de colégio, as pessoas vão aprimorando, pois é essencial para sobreviver nessa estrada esburacada que é a vida. O ideal é saber a medida certa para parecer mal, mas não o suficiente para despertar preocupações – afinal, você não quer uma enfermeira arrancando sangue do seu braço com uma seringa à toa, quer?

5 – Participar de uma corrente de blogs: Finalmente posso me encaixar nesta categoria – mas, para tanto, preciso escolher cinco pessoas que darão continuidade à idéia. No caso, seriam a Anna Flávia, o Valter, o Guto, o Rodrigo e o Breno, pois sei que eles eventualmente acabam acessando o Cataclisma14 sem querer. Quero apenas deixar registrado que não há compromisso nenhum nisso: se não quiserem fazer não tem o menor problema, sem rancores, e saibam que, enquanto vocês acessarem o blog e clicarem nos anúncios do Google, sempre terão meu respeito.

Gênero, número e grau

Para vender melhor seus filmes, Hollywood criou diversas categorias, através das quais direciona a narrativa para um determinado público-alvo. E, assim como nas agências de publicidade, um documento circula pelos diretores para que realizem perfeitamente aquilo que o cliente – no caso, o produtor – deseja.

Esse documento é chamado de briefing, e eis aqui, com exclusividade, alguns deles:

Comédias Românticas
Precisamos de dois protagonistas que se amem, mas que sejam separados por eventualidades do destino. Piadas envolvendo cachorros, velhinhas e, principalmente, tombos físicos são bem-vindas. É essencial que, no momento do beijo final, alguém esteja presenciando a cena para aplaudir.

Suspense
Precisamos de uma reviravolta que não tenha absolutamente nada a ver com a trama, trilha sonora que ensurdeça o espectador nos momentos “tensos” e, o mais importante, um drama raso e superficial para o protagonista (de preferência algum trauma).

Terror
Precisamos de sangue falso. Aliás, metade do orçamento vai para sangue falso e objetos cortantes. É imperativo que uma das atrizes seja loira, esteja em plena forma física e não se importe de mostrar “o que o povo gosta” frente às câmeras.

Ação
Precisamos de Denzel Washington. Além disso, serão necessários planos rápidos, edição frenética, câmera tremendo e fotografia um pouco granulada (para trazer um pouco de realismo ao filme, já que esse ajdetivo de forma alguma irá se aplicar ao roteiro). Se tiver alguma dúvida, favor ter uma conversa com Tony Scott.

Drama
Precisamos de uma atriz oscarizada que tenha uma cena de choro.

Comédias Adolescentes
Precisamos associar tudo à sexo ou preocupações sexuais. Pricipalmente cachorros, velhinhos e comidas.

Filmes Independentes
Precisamos contar uma trama sem graça nenhuma, de uma forma extremamente monótona, utilizando atores desconhecidos e estampando o logotipo dos festivais de Sundance e Cannes no cartaz.

Série Alta Jogabilidade

Título: A Maldição da Ilha dos Macacos (The Curse of Monkey Island)
Plataformas: Computadores que tenham Windows 95 ou acima.
Fabricante: Lucasarts
Qual é a do jogo: Guybrush Threepwood é um “poderoso pirata”(sic) que, após enfrentar o temível LeChuck duas vezes (nos dois games anteriores da série), está prestes a pedir sua namorada Elaine em casamento. No entanto, o anel de noivado joga uma maldição que transforma a moça em uma estátua de ouro, e agora o pirata precisa encontrar uma forma de desfazer o feitiço antes que sua amada tenha o mesmo destino que a taça Jules Rimet no Brasil.
Porque jogar: Antes de Jack Sparrow fazer suas gracinhas por aí, a Lucasarts já tinha reunido a fórmula “piratas + aventura + bom humor” com sucesso. A Maldição da Ilha dos Macacos reúne personagens intrigantes, quebra-cabeças complexos e tiradas cômicas sensacionais, além de um bonito traço cartunesco que ajuda a realçar o universo absurdo no qual a história se passa. Com uma jogabilidade simples e instintiva, conhecida como point and click, facilita a exploração dos cenários, oferecendo ao jogador recursos rápidos para misturar e utilizar itens com os outros elementos em cena. Os vídeos que intercalam certos momentos do jogo também são uma atração à parte, pois além de dar andamento à história possuem uma bela animação – sem contar, claro, os diálogos inspirados (que na verdade aparecem por todo o jogo). Acreditem, não há como ficar mais divertido do que isso.
Porque não jogar: Caso você seja, sabe, o que chamam de “uma pessoa séria, inteligente e responsável”, talvez prefira passar longe de A Maldição da Ilha dos Macacos. Ou, pelo menos, jogar escondido.
Avaliação final: Top 5 de qualquer lista de melhores jogos que qualquer pessoa resolva fazer em qualquer lugar do mundo.

Armagedon

O termo acima ficou muito famoso depois do filme homônimo, mas seu significado é anterior: “O Armagedon (ou Armagedão) é identificado na Bíblia como a batalha final de Deus contra a sociedade humana iníqua” [Wikipédia]. É mais comumente conhecido como o fim do mundo.

Pois rolam boatos que isso poderia acontecer aqui, na internet.

Internet pode ficar sem capacidade em 2010, diz estudo [IDG Now!]
Washington – Internet vai criar 161 exabytes em 2007, o equivalente a 50 mil anos de vídeos com qualidade DVD, diz estudo da Nemertes Research.

Provavelmente mais uma das inúmeras previsões catastróficas que não se concretizarão. Por via das dúvidas, guardem esse post; ele pode ficar famoso caso isso venha a acontecer.

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Entreguei ontem as três cópias da monografia. Caminho a passos largos rumo à liberdade.

Monograficamente falando 3

Contrariando a mais pessimista das previsões, consegui terminar a minha com um dia de antecedência. A tensão, entretanto, continua.

Nem tanto pela banca a ser enfrentada daqui duas semanas, mas sim pelo potencial de ações violentas que agora podem surgir num diálogo entre você e uma pessoa que, sem fazer a menor idéia do inferno que tem sido a sua vida nos dois últimos meses, te faz a seguinte pergunta com uma empolgação perigosamente irritante:

– Tá, mas… e o que que você concluiu?

Monograficamente falando 2

Por força do hábito, sentei aqui no computador para fazer a monografia. Só depois de abrir o arquivo e pegar os livros me dei conta de que, na verdade, ela foi finalizada há cerca de uma hora e meia.

Então acabei com uma dúvida cruel: começo a assistir os filmes do Oliver Stone que ganhei de aniversário ou tento, mais uma vez, levar a República Tcheca à conquista da Copa do Mundo?