Da megalomania bem aplicada

Avatar
5/5
Direção: James Cameron
Roteiro: James Cameron
Elenco
Sam Worthington (Jake Sully)
Zoe Saldana (Neytiri)
Sigourney Weaver (Dra. Grace Augustine)
Michelle Rodriguez (mina gostosa e durona)

No distante planeta Pandora, uma pá de humanos faz de tudo para conseguir botar as mãos em um valiosíssimo metal chamado McGuffin unobtanium. Entretanto, a primitiva espécie local, um bando de primos altos do Noturno dos X-Men chamados Na’vi, não curte muito a idéia e faz um sacode para defender seu lar. No meio da dança, um ex-fuzileiro se inscreve no programa Avatar, onde, através de uma MÁQUINA DE TOMOGRAFIA, ele pode pilotar o corpo de um Na’vi criado especialmente para o seu DNA. E eventualmente, ao se misturar com os nativos, o sujeito acaba se apaixonando por uma mina azul logo quando a guerra está prestes a estourar.

Ao longo dos últimos anos [/redação de vestibular], a indústria cinematográfica, assim como a fonográfica, vem sofrendo com o, digamos, fácil acesso a produtos culturais através da rede mundial de computadores. As pessoas sovinas trocaram a salona de cinema pela comodidade e GRATUIDADE do lar. Tentando reverter a situação, as redes começaram a buscar novas formas de atrair a galera, como o famoso IMAX, as projeções 3D e os combos pipoca + refrigerante que poderiam alimentar um rinoceronte. Mas os resultados ainda eram um pouco tímidos.

Eis que James Cameron aplicou uma grandiosa rasteira nos baixadores de filmes. E depois chutou o saco deles. E depois fez cócegas em seus sovacos. Porque, após quatro anos de desenvolvimento, produção e megalomania, Avatar é uma colossal experiência que PRECISA ser conferida no cinema. Sinceramente, o site oficial da obra poderia colocar o filme inteiro pra download, e provavelmente ninguém se interessaria.

Em termos visuais, nenhuma língua inventou adjetivos suficientes para definir a grandiosidade da coisa. Várias vezes, ao longo da projeção, amaldiçoei a mim mesmo por não ter levado uma máquina fotográfica pra registrar o que se passava na telona. Os óculos 3D ficaram embaçados de tanto que eu chorava. E as pessoas não entenderam quando, ao final, pedi que todos dessem as mãos e, juntos, orássemos em agradecimento. Pois a sensação de profundidade, os detalhes, a estrutura das construções, dos animais, das plantas, tudo é tão crível que é quase inacreditável. Em nenhum momento o espectador duvida que aquele mundo digital realmente exista. Não lembro de nenhum outro filme que tenha atingido um grau de realismo tão grande com o CGI, e isso é até mais impressionante do que o 3D em si. E a riqueza proporcionada pelo planeta Pandora, com seu verde exuberante e sua flora colorida, dá à Cameron a oportunidade de ESTRAÇALHAR visualmente as pessoas, criando sequências que SALTAM AOS OLHOS (trocadilho obrigatório) e AQUECEM CORAÇÕES. Avatar eleva a categoria cinematográfica de “fotografia” um nível totalmente novo. Seja no colorido das florestas, ou no cinza das instalações militares (sempre com holografias surgindo aqui e ali), o filme consegue impressionar em cada quadro.

Mas de nada adiantaria toda essa parafernália se a história fosse fraca (mentira, adiantaria sim, mas ela não é). E embora a tramóia concebida por Cameron resvale nos lugares comuns, o roteiro é bem-escrito e bem executado, o que torna a narrativa extremamente fluída: se por um lado cenas grandiosas deixam o espectador totalmente em chamas, por outro momentos pequenos, como Jake em seu avatar mexendo na terra com os dedos do pé, constroem personagens TRIDIMENSIONAIS (trocadilho obrigatório) e fazem com que o público se identifique com elas. O diretor manja os macetes necessários para manter a bola rolando de forma interessante, e não se permite deslumbrar pelos efeitos especiais (mentira, se permite sim, mas sem esquecer da trama). Afinal, por mais que o filme seja bonito, ele não funcionaria se os protagonistas não cativassem a platéia (mentira, funcionaria sim, mas eles cativam).

Contribui para isso o excelente elenco e a absurda técnica de captura de movimentos – os avatares em CGI não são apenas parecidos com os atores, eles possuem trejeitos que os tornam únicos (James Cameron e os demais envolvidos venderam a alma ao diabo para conseguir tal façanha, fato). Quem ficou impressionado com o Gollum de Senhor dos Anéis e o Davvy Jones de Piratas do Caribe, vai bater a cabeça na parede após ver o que se passa em Avatar. Com atores supimpas, então, a coisa fica ainda mais fácil: Sam Worthington exala carisma o tempo todo, além de convencer no papel de líder (e reparem o “tédio” do ator enquanto está na forma humana, comparado à sua intensidade quando Na’vi) e ter uma excelente química com Zoe Saldana (outra que faz misérias, mesmo jamais aparecendo em carne e osso). E como é em torno dos dois que a história se sustenta, essa relação cria uma base sólida para que os outros aspectos possam funcionar. De resto, Sigourney Weaver faz bem a ligação entre Jake e os Na’vi, Stephen Lang cria um vilão assustador e intenso, e Michele Rodriguez exibe gostosice extrema sempre que está em cena.

É necessário ainda citar o design de som, a espetacular trilha, os figurinos, o pão com geléia que era servido entre as filmagens, enfim, praticamente todos os aspectos do filme ganhariam 99 no Winning Eleven. E todo o tempo que Avatar ficou em produção, todo o trabalho, toda a pesquisa, tudo isso convergiu de forma bíblica para apenas um objetivo: criar uma experiência cinematográfica inesquecível.

James Cameron é, de fato, o rei do mundo.

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8 comentários sobre “Da megalomania bem aplicada

  1. nhé, achei o filme fraco, sem contar que é um plagio de mais de duas horas, simplesmente fundiram Delgo e “guerra de luz e sombra” com o visual de timespirits, e só, nem para criar algo que não estivesse nas obras.

    Resumindo, esse filme é deprimente…

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  2. Na real, eu vi uma definição boa, que dizia que Avatar era “Dança com Lobos via Matrix”.

    Ainda assim, como eu falei na crítica, os lugares-comuns não atrapalham o andamento do filme, e acabam sumindo frente à história cativante e aos colossais efeitos especiais.

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  3. Na verdade são duas notas:

    5/5 para o visual
    3/5 para a história

    Tem noção que dar 5/5 é colocar esse troço do lado de obras-primas como O Poderoso Chefão, Rocky e Curtindo a Vida Adoidado?

    Visualmente é um absurdo de tão lindo. Mas os clichês de Avatar atrapalham sim. Tem uma cena que a Ana Lucia diz “ah dane-se, não foi pra isso que eu me alistei”, e muda de idéia no melhor estilo HEROES.

    HEROES, cara! Sem mais…

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  4. Cruyff te negará uma entrada no Céu quando vir que tu não apenas comparou Avatar a HEROES, mas também questionou uma cena estrelada pelo GOSTOSÍSSIMA Michelle Rodriguez.

    Arrependa-te, e serás salvo.

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  5. Achei ofilme fraquíssimo de historia.Mesma merda de sempre,me lembrou um pouco de matrix com surrogates.
    Nao sei se foi so eu,mas no trailer da impressao que o corpo do personagem se transforma em um ser azul,e nao um simulacro.

    Mas eu ja previa um filme ruim com grande jogada de marketing.

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  6. Nossa eu não tenho a mesma inpressão que vcs…a chei o filme fantástico, e ver aquele ecossistema todo bioluminescente me deixou maravilhada!!a história é boa. Bem eu gostei…mas náo consigo conectar esse filme com o matrix (que para mim só o primeiro valeu a pena), acho que esse filme é histórico, assim como outros, por exemplo the godfather, the lord of the rings…sei lá é só minha opnião…

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