De piratas e dromedários

Pirate Latitudes – Michael Crichton
Além de grande contador de histórias, Michael Crichton pesquisava alucinadamente antes de iniciar um livro – e, graças à essa metodologia, o autor nos faz acreditar fielmente em tramas que de outra forma soariam absurdas, como os excelentes Parque dos Dinossauros e Esfera. Pois ele faz o mesmo nesse Pirate Lattitudes, utilizando termos náuticos e expressões da época para MERGULHAR o leitor na tramóia. Além disso, conta com uma galeria de personagens sensacionais e ação desenfreada, que coloca o livro naquele famoso ritmo “trem desgovernado, sem freio e empurrado por uma turbina nuclear”. Infelizmente Crichton não consegue parar a tempo, estendendo a ação desnecessariamente no último capítulo e dando com os burros na água. Nada que atrapalhe a ótima diversão do livro, mas ainda assim fica aquele gostinho de que Pirate Latitudes poderia ter tomado uma chuveirada depois de sair do mar pra tirar os excessos.
Bosquet’s intent was clear enough. He had anchored in the mouth of the bay, just beyond the reef, but within range of his broadside cannon. He intented do stay there and pound the galleon through the night. Unless Hunter moved out of range, risking the shallow water, his ships would be demolished by morning.
Paisagem Com Dromedário – Carola Saavedra
Paisagem Com Dromedário possui uma forma de narrativa assas interessante, com cada capítulo funcionando como uma transcrição de um vídeo que a narradora gravou para um ex-amante. Mas não é só isso: girando em torno de um triângulo amoroso, o livro é quase uma auto-análise de Érika (a narradora), que tenta entender as escolhas e as decisões que tomou. O que resulta em uma obra cativante, ainda que bastante triste. Suas passagens reflexivas completam de forma natural as descrições dos acontecimentos, e o leitor acaba envolvido de forma impiedosa pela doce melancolia que permeia o livro, sendo levado a fechar seu coração em uma caixa e jogar fora após finalizada a leitura.
A morte talvez seja apenas isso, algo que espera pacientemente, dentro de um bloco de barro, de mármore, de pedra, que no decorrer da vida, com nossos instrumentos e nossas armas, nos aproximemos.

Barulho de chaves, uma porta se abrindo, vozes. Não é possível entender o que dizem.

Está ouvindo? Devem ser Vanessa e Bruno que acabam de chegar. Provavelmente vão bater na porta do quarto para saber como estou. Eles acham que eu não estou bem, ou ao menos esperam que eu não esteja bem. Na realidade estou ótima. Acho que isso os incomoda.
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