Coisa de Nerd

Essa coisa de usar o computador como uma “central de comando” pra tudo (trabalho, lazer, faculdade) acaba tendo repercussões interessantes na vida das pessoas; algumas delas, bizarras. Dentre elas, a mais explícita é estimular a criação de um universo particular ao redor do PC, com gadgets e outras besteiras que só vendo pra acreditar.

Nas últimas semanas tenho feito algumas visitas ao ThinkGeek. Esse site tem praticamente todo o tipo de besteira que se possa imaginar para transformar o entorno do seu micro numa verdadeira Disneylândia em miniatura. Ali dá pra encontrar, por exemplo, o Snowbot: um boneco de neve com duas cores de visor, braços articulados e o “autêntico som snowbot”, seja lá o queisso queira dizer.

Nesse mesmo site, está disponível também o Cube World Digital Stick People: bonequinhos-palito digitais que vivem em cubos e podem interagir uns com os outros, se colocados em contato através de magnetos existentes nas laterais dos cubos. Ou então o USB Missile Laucher: um lançador de mísseis controlado pelo PC – ligado em uma porta USB – para infernizar a vida dos seus colegas de trabalho, com mísseis que atingem até 2,5m de distância.

Outra maravilha encontrada na internet pra “alegrar” sua área de trabalho (não a do Windows, mas a de verdade) são os Humping Dogs. Essas ternas e meigas criaturas, quando ligadas a uma porta USB qualquer, docilmente copulam com o seu PC, como se este fosse uma singela cadelinha no cio. E não se iluda: eles só têm essa função, não servindo como pen drives ou algo que o valha. Como diz o site, “They live to hump; they hump to live”.

Fica evidente a inutilidade de cada produto que eu citei acima. Como bem disse o Leandro na coluna de ontem (citando o Castells), é tudo um reflexo da sociedade. Ou seja: apesar de ter um potencial incrível, o mundo digital também está cheio de gente desocupada com tempo de sobra pra criar porcarias. Exatamente como no mundo real.

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Apagão no Olímpico

Jogo 2/14
Estádio Olímpico Monumental, Porto Alegre, Rio Grande do Sul
Gols: Pois é… será que chove?

Pra quem não sabe, teve um blecaute no início do jogo. Ficou tudo apagado. No início tudo bem, até que estava controlado. Mas logo ninguém mais sabia pra onde ir, se subia, se ficava… tudo completamente escuro. E o pior é que não conseguiram arrumar, pois em nenhum momento funcionou como deveria. Ninguém enxergava nada, e isso deve ter deixado a gurizada nervosa, porque aconteceu cada rateada lá que nem vou citar aqui porque este é um blog de nível. Até mesmo o pessoal que devia acalmar todo mundo e organizar as coisas cedeu à escuridão, errando praticamente tudo aquilo que se propôs a fazer. Claro que apareceram umas três luzes, além de uma que piscava de vez em quando e outra que surgiu bem depois delas. Mas no geral, o resto eram apenas sombras.

Ah, e faltou luz no estádio também. Mas isso foi antes do jogo.

(na minha visão gremista e parcial)


Uma partida depois de Inter x Nacional, que parecia que seria a mais bizarra da dupla Gre-Nal na Libertadores, somos apresentados a Grêmio x Cúcuta, que honrou os maiores clássicos da terceira divisão da China. Lances bizarros, jogadas bizonhas e o maior número de passes errados por minuto do ano fizeram deste jogo uma obra-prima digna de Ed Wood. Entre os melhores lances estão a furada-seguida-de-escorregão-e-queda de Carlos Eduardo e o chute-de-canela-que-passou-longe-pra-dedéu de Sandro, com direito a “uhhhhh!” da torcida.

Parece que o blecaute que atrasou o jogo em quase uma hora contagiou a equipe gremista. Eles bem que tentaram, mas após dez minutos de bom futebol acabaram se perdendo e chegaram a ser mais ameaçados do que a ameaçar, particularmente no segundo tempo. Que fique bem claro: o Cúcuta é muito ruim [Nota do blogueiro: fato], e parece que foi justamente essa disparidade que prejudicou o Grêmio. Parece que todos os gremistas (jogadores e torcedores) achavam que o time iria esmagar os colombianos, e essa super-confiança, com o passar dos minutos, transformou-se em desespero. Tanto desespero levou a torcida, que no início deu um show de incentivo, a vaiar a equipe lá pelo meio do segundo tempo.

Os gremistas precisam ter consciência que Gauchão não é Libertadores e vice-versa – aliás, já deveriam saber. Porque o maior adversário do Grêmio é justamente o nervosismo que ele mesmo se impõe, graças à grande campanha do início do ano. Ainda bem que pelo menos desse mal o Inter não sofre.

(na visão colorada e parcial do Valter)

Folksonomia

A melhor fonte de informação sobre um filme são as pessoas que já o viram. Essas pessoas podem ser desde um aclamado crítico de cinema que escreve no jornal até o teu amigo que resenha sobre filmes num blog. O mesmo vale para a indicação de um livro, uma banda, um lugar, um restaurante, etc; sempre procuramos por opiniões de pessoas.

Mas não quaisquer pessoas. Pois com o tempo elegemos aquelas de confiança para cada tipo de assunto – filmes, literatura, música, turismo; sabemos a quem recorrer e, na maioria das vezes, são pessoas do nosso convívio social. Uma das coisas mais legais que vejo na internet é a possibilidade de considerar opiniões não apenas de amigos e conhecidos, mas também daqueles que nunca vimos antes.

Há tempos, por exemplo, espero pelo lançamento no Brasil do novo filme do Michel Gondry, “Science of Sleep”. Sou fã desse diretor desde a época que ele só fazia videoclipes legais, mas minha ansiedade se deve principalmente porque li em vários sites e blogs opiniões muito boas de quem teve a sorte de assistir ao filme (que, espero, chegará aos cinemas brasileiros ainda em 2007). Essas opiniões vêem de pessoas que eu nunca vi na vida – e provavelmente nunca vou ver – mas que são tão ou mais fãs do Gondry que eu. E só isto já basta para eu dar-lhes crédito e ficar nessa ansiedade.

Além dos blogs, há sites na internet que utilizam recomendações dos próprios usuários para classificar a relevância de seus conteúdos. Esse método, chamado Folksonomia (en), se baseia no elemento humano e, na minha opinião, contrapõe-se ao ideal de Inteligência Artificial. Afinal, quem é melhor para julgar se um video do YouTube é interessante: um robô programado para cruzar informações ou milhares de pessoas que já o assistiram e disseram “isso é interessante”?

O Google sempre apresenta resultados relevantes porque ele é baseado num sistema chamado PageRank, que “varre” a internet frequëntemente e classifica os sites de acordo suas referências em outros; quanto mais linkado um site for, mais relevante ele é para o Google. Faz sentido, não? Da mesma forma, os videos mais legais (e curiosos, e absurdos, e emocionantes, e bizzaros, e polêmicos, etc) que encontro no YouTube são aqueles listados nas páginas mais vistos, mais votados e mais “favoritados”.

Aliás, um site que eu tenho usado bastante e que já recomendei para alguns aqui no blog é o del.icio.us. Basicamente, ele é uma rede social de troca de bookmarks – sites favoritos. A primeira vantagem é óbvia: ter um “Meus favoritos” on-line acessível de qualquer computador. Mas o principal atrativo é que, ao fazer uma pesquisa no del.icio.us, a relevância dos resultados vem dos sites mais “favoritados” por todas as pessoas que lá compartilham seus links. Genial, e por isso foi comprado ano passado pelo Yahoo! (que há alguns anos perdeu o 1º lugar para o Google entre os sites de busca – por que será?). Há ainda outros sites de votação de relevância para notícias enviadas pelos usuários, como o Digg (sobre tecnlogia, principalmente) e o brasileiro Overmundo (sobre cultura).

Por último, o exemplo máximo de Inteligência Humana contribuindo com informações – a mega-bem-sucedida enciclopedia Wikipedia, cujo conteúdo foi construído por internautas do mundo inteiro, e que continua aberta para que qualquer um possa adicionar novos dados ou modificar os já existentes.

O sociólogo Manuel Castells (tô lendo pra minha mono!) afirma que a internet nada mais é do que um reflexo da própria sociedade: seu comportamento, suas atitudes, seus interesses no mundo real são os mesmos no virtual. Então, já que a rede elimina as fronteiras da distância, vamos abusar do elemento humano! Leu um post bacana em um blog qualquer? Escreva um comentário e contribua com a discussão! Viu um video legal no YouTube? Classifique-o com 5 estrelas e, se valer a pena, adicione aos seus favoritos. Descobriu uma banda nova? Uma banda velha? Recomende o CD no site da loja que você comprou, para que outras pessoas possam ler. Dê testemunhos úteis no Orkut (!) Escreva sobre um filme legal no seu blog! Você não tem um? Então cria (é de graça) e passe a recomendar tudo que achar que mereça ser! Seja ciberativo! Você estará contribuindo para o aperfeiçoamento da melhor fonte de informações já inventada: as pessoas!

Porque a internet não uma rede mundial de computadores, mas de pessoas.

F-15 soltando estalinho

Hoje eu tive mais um sinal de que o mercado publicitário precisa de mim. Alias, só depende dele me oferecer pelo menos quatro dígitos!

O caso é que resolvi pela enésima vez voltar pra academia. Entre duas séries dos fatídicos abdominais não pude – e nem tentei – não reparar na mina que fazia agachamento na mesma sala.

Reparei num detalhe inusitado: a garrafinha d’água dela. Era da Gol! As linhas aéreas! Qual a relação entre uma companhia aérea e uma sessão de esteira? E olha que o slogan deles é “As Linhas Aéreas Inteligentes.” O que eles querem passar com aquela garrafa? Fui bonzinho, tentei criar um elo. O melhor que pude fazer foi “Praticando atividades físicas você vai virar um avião!”

Serio, as ações de marketing podiam ser mais elaboradas. Ta, de repente há certa base de pesquisa na confecção da garrafinha d’água da Gol, e talvez eu esteja escrevendo besteira. Mas não faria uma ação dessa até que me provem o contrário.

Homenzinhos Dourados

Bom, se o Kleiton fez a coluna dele um pouco diferente semana passada, também vou aderir à moda: ao invés de fazer uma das minhas críticas geniais e espetaculares sobre algum filme, vou falar sobre o Oscar. Como não são todas as pessoas que sabem exatamente como funciona cada categoria, colocarei aqui um resumo do que significa cada prêmio.

Filme – O nome na real tá errado, devia ser “Melhor Produção”. Premia justamente aqueles estúdios que mais gastam com marketing DEPOIS da indicação. Também chamado de Prêmio “Como assim Shakespeare Apaixonado?”;

Diretor – Típico chefe: fica sentado dando ordens pra, no final do dia, receber os louros pelo trabalho de todo mundo;

Ator – Prêmio em que a Academia premia aquele cara que melhor te enganou fingindo que é outra pessoa;

Atriz – Prêmio que as mulheres bonitas precisam ficar feias pra ganhar;

Ator Coadjuvante – O equivalente cinematográfico à eleição da Placar de Melhor Lateral Esquerdo;

Atriz Coadjuvante – Prêmio que as mulheres bonitas não precisam ficar feias pra ganhar;

Roteiro Original – Normalmente o mais estranho possível, obrigado;

Roteiro Adaptado – Conhecido como “Tem preguiça de ler o livro? Então assista ao filme”;

Filme Estrangeiro – O Oscar sendo politicamente correto;

Animação – Ah, nem a pau que um segmento responsável por algumas das maiores bilheterias dos últimos anos ia ficar de fora, né?

Fotografia – A pessoa que precisa se preocupar com iluminação, cores, filtros e etc, embora tudo vá ser arrumado depois no computador mesmo;

Direção de Arte – Nome bonito pra um bando de decoradores reunidos;

Figurino – Nome bonito para um bando de estilistas reunidos;

Edição – Aquele integrante da equipe que tenta a todo custo transformar o filme em um videoclipe;

Maquiagem – Curiosamente, aqui é usada para enfeiar, e não embelezar;

Trilha Sonora – O pessoal que chegou mais perto de estourar os teus tímpanos na sala de projeção;

Som – O pessoal que chegou mais perto de estourar os teus tímpanos na sala de projeção²;

Edição de Som – O pessoal que chegou mais perto de estourar os teus tímpanos na sala de projeção³;

Canção Original – Este é, na verdade, o prêmio mais respeitado da indústria fonográfica, pois qualquer pessoa que consiga batucar ouvindo uma música já ganha um Grammy;

Efeitos Visuais – A velha história de “Quem vê cara não vê coração”: faça um filme visualmente bonito para esconder a fragilidade da história;

Curta-Metragem – Categoria dos pobres, ou seja, quem não tem grana pra fazer um longa;

Documentário – Premia o cara que chegou mais perto de te convencer que a opinião DELE é a certa;

Documentário Curta-Metragem – Nome bonito para reportagens de jornalismo;

Curta-Metragem de Animação – O equivalente a um “Peneirão” no futebol: os que passarem ganham chances nos grandes projetos.

Tenacidade

Ontem no aniversário do meu irmão, motivo pelo qual tive de ser muito bem substituído pelo André na Suando a 14, a família toda se reuniu. E eu tive a sempre enriquecedora oportunidade de conversar com as pessoas mais experientes do meu clã.

É fascinante o contato com pessoas que têm muito a nos ensinar e que fazem isso com um prazer espontâneo notável. Pessoas que estão muito na nossa frente na corrida da vida e que riem quando tentamos dar uma volta neles, pois lembram que na nossa idade tentavam os mesmos truques.

Em algumas das histórias que eles contam, consigo por vício ter uma visão publicitária da situação. É o caso desse episódio curto que sobre o qual um detalhe mínimo deu nome a esse post.

Meu tio falava sobre sua infância no inicio de década de 50, em Caxias do Sul. Poderia ser em qualquer outra cidade gaúcha na época, inclusive Porto Alegre, afinal me pareceu bem genérica a história. Ele conta que depois de passar a tarde correndo na praça, ia sempre no armazém do bairro. Um casebre, com os produtos pendendo do teto, e apenas duas opções: pão de banha e pão sovado.

O lanche dele era o pão de banha, amassado e assado de forma mais do que artesanal, amadora, grosseira; cortado ao meio, com uma manteiga caseira rígida que não vinha em tabletes, mas no tamanho e forma dos recipientes onde era preparada. A manteiga se derretia apenas no contato com aquele pão salgado. Sobre a manteiga, uma lasca de mortadela que sobrava no pão completava o sanduíche; a mortadela gigantesca ficava exposta no balcão, às moscas, e era fatiada na hora do preparo do rango.

Pra acompanhar, a tenaz Coca-cola…

O caminho das pedras

Muitas pessoas por aí acreditam que coragem não é não ter medo, e sim enfrentar o medo. Embora bastante batida, essa definição faz sentido: é impossível existir alguém que não tema absolutamente nada.

Este ano, na viagem para Santa Catarina, fiz diferente do ano passado: ao invés de ficar olhando o mar enquanto o resto do pessoal subia na trilha de uma das montanhas da Praia Brava do Guga, resolvi ir junto. E não é nenhum segredo que eu simplesmente me cago de medo de altura, mas coragem não é enfrentar o que tememos? Então vamos lá.

Pela metade, mais ou menos, eu já tinha me arrependido, pois as coisas lá embaixo estavam ficando relativamente pequenas. Para piorar, o Bruno e o Leandro resolveram subir em uma pedra na ponta do troço, sem absolutamente proteção nenhuma. Assim, sentei e me agarrei a uma outra pedra (bem longe do PENHASCO, diga-se de passagem), pois os sintomas conhecidos já estavam em ação: tontura, suor, enjôo e nervosismo. Decidi então que ia voltar, só que isso implicava em ficar de pé mais uma vez (lembrem-se: quanto mais alto, pior). Foi aí que o meu instinto de sobrevivência insistiu para que eu me amarrasse em uma árvore utilizando a camiseta como corda e ligasse pros bombeiros – mas felizmente o superego, provavelmente envergonhado, fez com que eu conseguisse caminhar até a praia. Não sem algum nervosismo, admito.

O mais perto disso que achei foi a acrofobia, mas é claro que não estou me diagnosticando. Na verdade a idéia do post é a seguinte: essa é uma limitação minha e, mesmo existindo terapias e etcéteras que prometem solução, não vejo saída. Tentei sobrepujar algo que eu temia, mas desta vez falhei. E, acreditem, isso não me incomoda nem um pouco, pois o meu medo me deixa (prudentemente) longe de lugares altos e rende histórias engraçadas. “Nunca seja completo”, já disse Tyler em Clube da Luta. Pra mim faz sentido essa “acrofobia”, e o legal é que eu realmente não vejo problema nenhum nisso. Talvez aceitar essa história toda tranquilamente seja uma evolução da minha pessoa.

Ou talvez, da próxima vez que for enfrentar um medo, eu não deixe a garrafa de vodka em casa.

Faça a evolução

O Barcelona, dizem, tem mais de 100 mil sócios (134 mil para ser mais exato). O Camp Nou, um estádio cinco estrelas, possui exatos 120 mil e 600 lugares (foi o pessoal da Wikipédia que contou, qualquer coisa reclamem com eles). Notaram algum problema? Uma ligeira diferença de números entre os sócios e a capacidade do lugar (14 mil, lógico, não podia ser outro número)?

A moda agora é fazer clubes-empresa, que possam gerar mais receitas relacionadas ao futebol. Ou seja, tratar o esporte todo como pura e simplesmente um negócio… um entretenimento. Pois é isso que o Barcelona é: uma equipe globalizada, pronta para faturar dinheiro em qualquer lugar do mundo. Um time de Globetrotters, cujo objetivo não é apenas vencer, mas exibir seus jogadores para o público.

Claro que isso não é intrínseco ao clube catalão. Posso citar também Chelsea, Arsenal, Real Madrid, entre outros. E logo esse grupo vai crescer, pois mais receitas é igual a mais jogadores que é igual a mais títulos que é igual a mais torcedores. Que é igual a mais receita.

Porém essa pretensa “evolução” pode ter um preço (sem trocadilhos): será que transformar o time em uma empresa de negócios e entretenimento não mata os valores essenciais do esporte? Quero dizer, a Juventus pra mim é uma equipe que tem muito mais amor à camiseta do que, digamos, o Real. A mesmo coisa com Manchester United e Arsenal. E não estou falando aqui apenas da raça dos jogadores, mas também da identificação: a Juve é o Baggio, o Del Piero. O Milan, o Maldini. O Manchester é o Giggs, Neville, Scholes. O Barcelona é… é… Não há uma referência atual.

Até mesmo os clubes brasileiros já deviam ter se transformado em empresas também, mas há sempre aquelas décadas de defasagem. Como se isso fosse mudar alguma coisa: os europeus continuariam comprando nossos craques a preço de pau-brasil e formando dream teams que conquistarão tudo o que é possível, mas para si mesmo. Os torcedores são apenas testemunhas.

Cada vez se vê mais negócio e menos esporte. Mais entretenimento e menos emoção. Mais fair play e menos dedicação. Quanto vale um ídolo cuja única identificação com o clube é vestir a mesma camiseta que o resto do time? Não quero dar uma de ‘romântico’ e saudosista porque algumas mudanças são inevitáveis. Mas transformar os clubes em empresas com o único objetivo de aumentar o faturamento é matar aquele esforço a mais, que ninguém sabe de onde vem, que não tem nenhuma explicação a não ser a paixão por uma camiseta. E isso, certamente, não tem preço.

Com vocês, futebol:

Hoje estou escrevendo a coluna porque o Thiago tem aniversário do irmão dele, ou seja, comida e bebida de graça. Isso não vai prestar…

Nacional 3 x 1 Internacional

Estádio Parque Central, Montevidéu, Uruguai
Gols: Hidalgo 37′ 1T (Int); Vera 27′ 2T, Delgado 30′ 2T, Martinez 47′ 2T (Nac)

O nosso bom e velho arqui-rival debuta na Libertadores 2007 da melhor forma possível: tomando 3 x 1 de virada do time meia boca do Nacional, numa partida que certamente estará entre as 3 mais feias e mal jogadas do ano (junto com o Ulbra 3 x 1 Inter do gauchão – resultado coincidente – e com algum jogo da série B do campeonato sergipano de juniores).

O time do Nacional mostrou que tem espírito de Libertadores: muitos carrinhos, todos eles visando a perna do adversário, e muitos agarrões pra matar jogada no meio campo – um deles acarretando a expulsão de Rodriguez. Só senti falta de alguma garrafa de Patrícia voando da arquibancada.

Do Inter, não há muito o que se falar: Gabiru mostrou que vai sobreviver no Inter só pelo gol contra o Barcelona, Fernandão mostrou que está velho e Clemer mostrou que “sair-do-gol” é seu nome do meio.

Melhor pra nós.

(na minha visão gremista e parcial)


E o Inter estreou na Libertadores… e com derrota. Todo mundo sabia que ia ser difícil, mas jogar mal ajudou um bocado o serviço do Nacional (que aliás também não jogou bem). Desde o início o time do Beira-Rio não conseguiu se impor, limitando-se a assistir o time adversário tentar jogar. Clemer, em mais uma noite terrível, ameaçava a toda hora a meta gaúcha com suas saídas atrapalhadas à la Dida. Mas ainda no primeiro tempo o Inter achou um gol com uma bola parada, quando Hidalgo acertou uma bomba no rebote.

O segundo tempo chegou, tão ruim quanto o primeiro, com a diferença de que antes do seu primeiro terço já havia um jogador a menos: Rodríguez foi expulso ao puxar Iarley e receber o segundo cartão amarelo. Parecia que tudo conspirava a favor do Inter. Mas aí entrou em campo o fator Clemer.

Tudo bem que o goleiro colorado fez uma bela defesa no primeiro tempo, mas ele NO MÍNIMO colaborou para os dois primeiros gols do Nacional, acontecidos em três minutos. Wellington Monteiro seria expulso e o time uruguaio ainda faria o terceiro gol (em condição irregular, mas isso não importa), deixando o Inter em último em um grupo em que o Nacional não é o adversário mais forte. É só lembrar que o colorado ainda tem pela frente o Emelec na altitude e o sempre argentino Vélez.

(na visão colorada e parcial do Valter)