Indiada

Quem Quer Ser um Milionário? (Slumdog Millionaire)
2/5
Direção: Danny Boyle
Roteiro: Simon Beaufoy, baseado no livro de Vikas Swarup
Elenco
Dev Patel (Jamal)
Resto (personagens ainda mais irritantes do que o protagonista)
Jamal é um garoto indiano que está prestes a vencer o programa “Quem Quer ser o Cover de Show do Milhão?”, onde cada resposta certa dá a ele uma quantia considerável de VERDINHAS (eu nunca ganhei sequer um centavo por responder as coisas certas no colégio. Mas divago). Só que daí o apresentador manda a polícia prender e torturar o pirralho pra ver se ele está trapaceando e, pior, torturar o espectador com uma série de flashbacks murrinhas e novelescos.
Em seu filme anterior, Caiu do Céu, o diretor Danny Boyle conseguiu narrar uma bonita e singela história sobre imaginação e outros sentimentos edificantes. Quem Quer Ser… , imagino eu, devia ser um Caiu do Céu ainda maior e mais intenso – entretanto, na ânsia de fazer algo notável, o diretor se perdeu nas curvas do destino e acabou DANDO COM OS BURROS N’ÁGUA.
Pra começo de conversa, o filme tem um caráter completamente episódico: a cada pergunta que o apresentador faz, Jamal se lembra do evento que o levou a saber a resposta. O esquema torna-se previsível lá pelos dez minutos de filme (não fica antes porque há uma perseguição CIDADE DE DEUS COVER na favela indiana), e a partir daí todo e qualquer suspense morre abraçado com o Juventude na série C. Toda vez que a narrativa volta para o “presente”, não há como evitar a sensação de que o FAUSTÃO vai aparecer dizendo que a película retorna depois dos RECLAMES DO PLIM-PLIM.
E como estamos falando aqui de uma história inspiradora, que precisa tocar o coração das pessoas, apenas colocar um pobretão na crista da onda pra ganhar uma bolada não é o suficiente. Não, a coisa vai mais além. O diretor simplesmente odeia o protagonista, e joga pra ele toda sorte de acontecimentos devastadores. Além de viver na miséria absoluta, o pequeno Jamal tem que aprender a mendigar com um sujeito que cega os olhos das crianças, ser torturado, apanhar de policiais, enfrentar um apresentador cínico e, eventualmente, torcer pelo Botafogo. Absolutamente todas as pessoas da história, começando pelo irmão do cara, sacaneiam ele sempre com um sorriso MAQUIAVÉLICO na boca. A vida de Jamal faz o terremoto do Haiti parecer nada mais do que uma coreografia do É O TCHAN.
Como resultado disso, o espectador simplesmente não dá a mínima pra ninguém que aparece em cena. Ora, se as situações que o protagonista enfrenta chegam a ser absurdas de tão exageradas, ninguém vai levá-las a sério – e nisso toda a construção dramática beija o chão e não levanta mais. Claro, o diretor Danny Boyle acredita que está fazendo uma nova Lista de Schindler, e acaba por investir numa fotografia levemente granulada e seca, tentando tornar as tramóias (que caberiam bem se fosse uma fábula) mais reais e torcendo o LÓBULO FRONTAL de quem está assistindo. Em nenhum momento o tom da narrativa fica claro; logo, as cenas mais pesadas não nos chocam, e as cenas mais leves não conseguem criar uma atmosfera de felicidade convincente.
Aliás, é necessário aqui um questionamento ético: cabe um filme de um grande estúdio pegar o sofrimento de um povo como atrativo para contar uma história CHINFRIM e desprovida de quaisquer convicções políticas e/ou sociais? Lembram do termo Cosmética da Fome? Pois parece que Danny Boyle dorme com ele debaixo do travesseiro.
Independente de seus deslizes, Quem Quer Ser… jamais torna-se cansativo ou enfadonho. A edição é ASTUTA, frenética, e mantém a galera presa na narrativa, junto com os enquadramentos menos convencionais e as transições inspiradas. Mas tirando isso, é tudo televisão de domingo à tarde. E o Oscar que o filme recebeu, desbancando o LACRIMEJANTE O Lutador, é daqueles mistérios que a humanidade passará anos tentando desvendar, como o assassinato do Kennedy e o título da Grécia na Euro 2004.
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CNPJ

Circulando por diversos sites de empresas na internet, descobri que todas possuem a trinca “Missão, Visão, Valores”, onde dizem coisas clichês e bonitas para que as pessoas leiam e sintam-se EDIFICADAS.

Como o Cataclisma tem mais de quatro anos na contagem de tempo tradicional (a contagem de tempo Cataclísmica é de Copa em Copa, ou seja, de acordo com ela o blog tem apenas um ano), resolvi fazer essa parte institucional também por aqui – afinal, já existimos há mais tempo do que muitas marcas quase tão consagradas quanto o C14 (abraço, Twitter, YouTube e Facebook):
MISSÃO
Conquistar a Europa e a América Latina ou 24 territórios à nossa escolha. O plano B é transformar o mundo em uma PARTIDONA de Winning Eleven.
VISÃO
Além do alcance.
VALORES
Normalmente não citamos valores, pois nossas mães nos ensinaram a não dizer pra estranhos quanto ganhamos. Entretanto, posso afirmar categoricamente que as seguintes propostas arrematariam o blog sem nenhum CHORORÔ da nossa parte:
– A Scarlett Johansson;
– O Batmóvel;
– A Scarlett Johansson dirigindo o Batmóvel;
– A caixa-forte do Tio Patinhas (a moedinha da sorte não é exigência);
Cesc Fabregas no Grêmio, ao lado de ADÍLSON e FERDINANDO;
– Todos os livros da coleção SALVE-SE QUEM PUDER.

O troco

É da natureza das carteiras conter três ou mais compartimentos – um para notas, um para moedas, e um para documentos de diferentes etnias (este pode se desdobrar em vários, abrigando cartões, notas fiscais, camisinhas, fotos dos filhos que nasceram porque no dia não havia camisinha na carteira, e por aí vai). Deste fato podemos inferir que são imprescindíveis os três ou mais compartimentos em uma carteira, visto que improvisar e colocar um elemento fora de seu habitat natural não costuma dar samba, como provam as partidas do Grêmio utilizando o volante Ferdinando na lateral. Ou as tentativas deste que vos fala de dançar FORRÓ enquanto etilicamente alucinado.
Dito isto, me parece absurdamente insana a forma com a qual os caixas (e as caixas também, longe de mim querer romper com aquela história de “direitos iguais”) devolvem o troco após a compra. Tipo, eles pegam primeiro as moedas. E ficam segurando elas enquanto pegam as notas, porque, todos sabem, caso uma pessoa não entregue as moedas junto com as notas, ela MORRE. Então vem a cereja do bolo, a nota fiscal, e o comprador acaba recebendo tudo junto, como um sanduíche econômico. Mas e o que ele faz com isso? Exatamente: ele DESMEMBRA tudo novamente. Pois as moedas precisam ir para um compartimento, as notas para outro, e os documentos de etnia diferente para outro. É como alguém dar uma caixa cheia de Lego já montado pra uma criança.
Isso pode parecer uma simples reclamação de um blogueiro espiritualmente GERIÁTRICO, mas, nesse mundo onde cada milissegundo conta, a questão do troco é crucial. Pois dia desses, graças à GENTILEZA da caixa em unir moedas e notas, tive que fazer a SEGMENTAÇÃO enquanto corria pra pegar o ônibus – e quem me conhece, sabe que já seria sujeito a acidentes eu separar a dinheirama sentado em um banco e no vácuo. Correndo, então, coloco metade da cidade em DEFCON 1 (felizmente, tudo correu bem, graças à Cruyff. Mas foi por pouco).
Entendo que, por uma questão de facilitar a vida do consumidor, o caixa entregue tudo de uma vez, tal qual fez Réver contra o Veranópolis. Só que essa facilitação não é prática. Aconteceu a mesma coisa com as embalagens de maionese que “abriam fácil”. E com os fones de ouvido que têm um fio maior que o outro. E com o novo MSN cheio de ferramentas que auxiliam na complexa e intrincada ação de PROSEAR.
Será que não há como INVOLUIRMOS para o mundo pré-facilidades? Ele era bem mais fácil.

Revolução, ideologia e estampas em camisetas

Che – O Argentino (Che: Part One)
4/5
Direção: Steven Soderbergh
Roteiro: Peter Buchman, baseado no livro “Reminiscências da Guerra Revolucionária Cubana”, do próprio Guevara
Elenco
Benício Del Toro (Ernesto “Che” Guevara)
Demián Bichir (Fidel Castro)

A célebre passeada de Che à Nova Iorque para discursar na ONU é intercalada com as PELEJAS da Revolução Cubana, desde seu início até a hora em que a galera levantou o caneco.

Ícone revolucionário, símbolo socialista, estampa de camisetas usadas por estudantes de comunicação. Tudo que envolve Che Guevara já é parcial por definição, no sentido de que alguém, em algum lugar, vai clamar que aquilo é propaganda política contra sei la qual a ideologia que essa pessoa adquiriu (no sentido de comprar, mesmo). Mas, tal qual as mulheres bonitas fazem nas festas, Steven Soderbergh deu de ombros pra galera toda e fez um filme GUERRILHEIRO (trocadilho obrigatório).

Isso porque na película Che, o mito, tomou o toco e foi substituído por Che, o homem. Já no início Soderbergh começa a desconstruir a aura mítica, caracterizando o protagonista como alguém fisicamente deficiente, sem força de liderança (algo que obviamente muda ao longo da narrativa), sem medo de perguntar o que não sabe, e por aí vai. Mas, longe de prejudicar, isso facilita a identificação do espectador com aquele barbudo (seria ele membro do Los Hermanos?) alucinado correndo pela floresta sem deixar a boina cair. E se o diretor faz questão de mostrar Che preocupando-se até mesmo com a segurança de pequenos camponeses, também não tira o pé do acelerador ao mostrar o guerrilheiro executando traidores a sangue frio. Porque sabe que isso fazia parte da realidade do sujeito, e negar a existência de tais atitudes é transformar o ato da revolução em algo menos intenso do que realmente foi (vejam bem, não estou dizendo que matar pessoas é certo; apenas identificando que, no contexto narrativo, o fato do protagonista precisar tomar esse tipo de decisão torna o arco dramático percorrido por ele mais real e palpável).

Contrastando com o preto e branco granulado das cenas em Nova Iorque, os “flashbacks” são capturados com a câmera na mão e luz natural (algo recorrente na filmografia de Soderbergh) – afinal, os caras tão lá no meio das FOLHAGENS, e quanto mais suja a fotografia parecer, melhor. E como o diretor manja muito do RISCADO, o filme tem um ritmo bastante envolvente, mesmo quando Che é escanteado pra cuidar dos arranhões da galera e tal. A propósito, já que citei Che, devo salientar o trabalho devastador que Benício Del Toro faz interpretando o revolucionário monossílabo. Consegue passar a intensidade e a paixão do sujeito por seus ideais, convencendo também como líder, carrasco, combatente, guerrilheiro e barbudo.

Claro, nem tudo é utopia socialista: por vezes o filme falha miseravelmente em contextualizar o espectador com relação às ações dos guerrilheiros. É algo tipo “ok, mas eles estavam lá, como chegaram aí? E quem são esses novos? E porque Fidel aparece e vaza sem aviso, como um vilão de fase de videogame antes do confronto final?”. As personagens secundárias são completamente irrelevantes. E identificar alguém ali sem ser Che, Fidel e Raul é trabalho de Google.

Mas são pontos irrelevantes no geral. Afinal, esta é uma obra de ideias. De ideais. De um sujeito que acredita em algo, e não tem medo de pegar um rifle e sair tocando o terror por essa ideologia. Só que esse sujeito também faz questão que os revolucionários saibam ler, e escrever, e aprendam, e entendam pelo que estão lutando. Deixando o mito de lado, o que permanece aqui é a história de um homem. E convenhamos, não dá pra ficar mais grandioso do que isso.

Lights go down

A gente acha que nunca vai acontecer conosco, mas aí vem o destino, esse pirralho que apita a campainha das casas e sai correndo, e PLOFT, dá uma rasteira desleal por trás. Porque hoje a maior tragédia de todas abateu-se em nossa casa: ficamos sem luz. Exatamente, vocês não leram errado, enfrentamos quatro desesperadoras horas sem energia elétrica (mas não se preocupem, estamos todos bem. De alguma forma sobrevivemos. Foi a força e a união, acredito. E também um pedacinho de bolo que havia sobrado, e que serviu para alimentar nossos temerosos corações).

Quando as luzes se esvaem, tudo que fica é a escuridão e silêncio. As outroras regozijantes alegrias da vida, como videogame, televisão, computador, ar-condicionado, ventilador, cedê player e por aí vai, tornam-se apenas objetos inanimados. O mundo fica estático e não há o que fazer. Até pensei em ler um livro à luz de velas, mas com relação à minha pessoa pode-se aplicar o famoso ditado “quem brinca com fogo acaba queimado, e queimando outros, e a casa inteira, e metade da cidade, e mergulhando milhares de pessoas em um pesadelo flamejante”.
Felizmente a benção da piedade deu uma PISCADELA para nós, e eu pude ouvir de novo aquele barulho mágico, lírico, olímpico, aquele inesquecível e incomparável CLICK de quando os aparelhos se ligam. Música para os meus ouvidos.

Benditos

Embora antigo, continua absolutamente aniquilador esse comercial da Quilmes para a seleção argentina. Chega a ser ofensivo compará-lo com aquelas brincadeirinhas que fazem envolvendo a seleção brasileira, tão destoante como uma disputa entre Mike Tyson e uma folha de papel. Meu coração transborda de FUTEBOL toda vez que assisto, e olha que, ao contrário de uns e outros aí, nem torço pela Argentina (torço pela Inglaterra. Espero que sejamos campeões neste ano e comemoremos com um CHÁ DAS CINCO destruidor):

2010 na salona

Lista de filmes que mais prometem em 2010, se é que eles serão lançados no Brasil ainda esse ano. Retirada da matéria maior e mais completa, mas menos divertida, lá no Omelete.

Zumbilândia

Tem um monte de zumbis, e tem o Woody Harrelson aniquilando eles de novecentas formas diferentes. O mundo não fica muito melhor do que isso.
Amor Sem Escalas
Assim como Lost in Translation, possui um poster melancólico, um ator famoso como protagonista (George Clooney) e um título nacional que é uma tragédia. Promissor.
Invictus
Ao invés de jogar Xadrez na praça, os velhinhos Clint Eastwood e Morgan Freeman se reúnem para contar a história de Nelson Mandela e de um jogador de rúgbi muito bróder que ele usou pra unir a dividida África do Sul.
A Caixa
Um casal na PINDAÍBA recebe uma caixa com um botão e um aviso: se apertarem o botão, ganham um milhão de dólares imediatamente, mas alguém que eles não conhecem bate as botas. É como se o casal fosse no cassino e ganhasse um milhão jogando na roleta… russa. Com a Cameron Diaz.
A Estrada
Em um futuro pós-nuclear, um pai e um filho caminham pelas terras cinzas e desertas dos EUA em direção à costa, na esperança de encontrar lá ajuda. O arrasador livro de Cormac McCarthy, que o filme adapta, fez com que eu me enrolasse em um cobertor e chorasse por dois dias seguidos. Tem o Viggo Mortensen e a Charlize Theron no elenco (esta última para os babões de plantão).
Um Homem Sério
A história de um professor cheio de problemas, dirigida pelos irmãos Coen, que transformariam até mesmo uma fila de banco em um filme que rasgaria a expressão “genialidade” e obrigaria a humanidade a inventar uma nova para defini-lo.
Homens que Encaravam Cabras
No Iraque, um jornalista encontra um soldado que CLAMA que ele e seu batalhão possuem poderes paranormais, como o de matar CABRAS apenas com o olhar. Com Ewan McGregor, George Clooney, Kevin Spacey e o melhor título de filme de todos os tempos.
Sede de Sangue
Park Chan-Wood, o diretor que SACOLEJOU as telas de cinema com o destruidor OldBoy, agora narra a trama de um padre que vira vampiro após assistir Lua Nova e chupar o próprio sangue pra não morrer de tédio uma experiência que deu errado.
O Mundo Imaginário do Doutor Parnassus
É o último filme do Heath Ledger, que inclusive foi substituído ao longo da película por Johnny Depp, Jude Law e Collin Farrel. É dirigido pelo Terry Gilliam. É uma obra que tem o TOM WAITS interpretando o diabo. Obrigatório.
Could Souls
Um ator envolvido em uma peça de Tchecov procura um serviço pra guardar sua alma enquanto ele interpreta – mas ela é MAROTA e foge, obrigando o cara a procurá-la pela fria Rússia. Troque “serviço” por “Millhouse” e “Rússia” por “Springfield”, e você tem um dos melhores episódios dos Simpsons.
The Last Station
Biografia do Tolstoi. Favor não confundir com “Biografia do Tostão”. Grato.
O Lobisomem
Benício del Toro interpreta um sujeito que, após ser mordido por um lobisomem, perde o controle de suas ações nas noites de lua cheia e sai por aí arranjando SARNA PRA SE COÇAR.
Ilha do Medo
Scorsese põe DiCaprio e Mark Rufallo como policiais que investigam uma tramóia em um hospital psiquiátrico numa ilha remota (acho legal como as coisas sempre acontecem em lugares “remotos” – filmes de terror em “mansões remotas”, por exemplo. Enfim, divago).
Fúria de Titãs
A única sinopse que eu encontrei foi “Remake do clássico grego”. Aparentemente, é um bando de semideuses QUEBRANDO A PAULEIRA GERAL SEM PIEDADE NENHUMA. Prevejo uma grande contagem de corpos em CGI.
Alice no País das Maravilhas
Tipo, pegaram o Tim Burton e colocaram ele pra dirigir uma história completamente psicodélica e que oferece infinitas oportunidades visuais. E em 3D, ainda por cima. É como injetar Red Bull na veia do Usain Bolt minutos antes de uma corrida.
Homem de Ferro 2
John Favreau e Robert Downey Jr. voltam pra botar o super-herói mais STÁILE e PEGADOR em situações cômicas e de ação incessante.
Robin Hood
Dirigida por Ridley Scott e protagonizada por Russel Crowe, a película mostra o ARCO de acontecimentos que deu origem ao famoso ladrão/arqueiro/carinha que usa uma BOINA VERDE.
Toy Story 3
Woody, Buzz e o resto da TRUPE são doados a uma creche e precisam se adaptar ao lugar para ficarem juntos. Toy Story 2 é a genialidade em UNS E ZEROS, vamos ver o 3. In Pixar we trust.
O Último Mestre do Ar
Adaptação de uma série chamada Avatar (sim, eu sei; não, não é aquele Avatar) com o M. Night Shyamalan por trás das câmeras. Basicamente, é um pirralho que descobre que tem um dom especial, e… ei, isso é familiar!
A Origem
Após entregar ao mundo a SCARLETT JOHANSSON EM FORMA DE FILME com Batman – O Cavaleiro das Trevas, o diretor Christopher Nolan volta com mais efeitos especiais e uma história malucona que acontece no interior da mente de alguém (torcemos pra que seja a mente do Coringa).
Harry Potter: Relíquias da Morte, parte 1
O bruxinho camarada tem que ir atrás do seu inimigo Voldemort, que se fortalece a cada dia e começa a tocar o terror afu no mundo dos mágicos e dos trouxas também – provavelmente foi ele que fez Flamengo e Corinthians ganharem títulos no mesmo ano.
Frozen
Três pessoas ficam presas num TELEFÉRICO (isso mesmo, um TELEFÉRICO, em CAIXA ALTA mesmo) em um lugar REMOTO, e coisas de terror psicológico começam a acontecer.
Kick-Ass
Um sujeito comum, como eu e você, com problemas comuns, como eu e você, tem a genial ideia de vestir uma fantasia com a cueca por cima das calças e virar um super-herói, exatamente como eu e você.
Hot Tub Time Machine
Ok, é um filme que tem uma BANHEIRA QUE VIAJA NO TEMPO. De repente, o DeLorean não parece tão absurdo assim.
Machete
É o Robert Rodriguez fazendo aqueles filmes que se passam no México, com fotografia amarelada e personagens saídas de alguma viagem alucinógena.
Wall Street 2: Money Never Sleeps
Oliver Stone revisita as personagens do primeiro filme, que agora vivem na época da crise financeira de 2008, porque Oliver Stone é um diretor contestador e político e tem que fazer coisas contestadores e políticas.
Tropa de Elite 2
Isso é complicado. De um lado, temos a possibilidade de outro grande filme. Do outro, temos a possibilidade de frases de efeito como “pede pra sair” ficarem sendo repetidas ao longo de meses por TODAS AS PESSOAS DO MUNDO.
Os Mercenários
Um Sylvester Stallone anabolizado de botox chama uma galera DA PESADA pra dar uma banda em um país sul-americano e destronar um ditador. Mas a história é só pano de fundo pra cenas de AÇÃO ALUCINADA.
Priest
Depois da moda de vampiros, agora é a moda de padres e vampiros: assim como no filme de Park Chan-Wood, esse Priest é estrelado por um padre. Mas ao invés de um padre vampiro, temos aqui um padre PISTOLEIRO que caça vampiros. Nenhum sentido.
The Social Network
Um filme sobre o FACEBOOK. Exatamente, Hollywood virtualmente SECOU de ideias. Mas é dirigido pelo David Fincher, então não há com o que se preocupar.
Black Swan
Tem a Natalie Portman e a Mila Kunis dançando. Tem também uma história, um diretor e um roteiro, mas isso é irrelevante.
Super
Um cara vê sua esposa se apaixonar por um traficante. Então, em uma atitude extremamente lógica, ele resolve virar um super-herói que aniquila os inimigos com sua CHAVE-INGLESA DA VERDADE. Comentários adicionais são desnecessários.

Jornalismo e cobiça

É impressão minha ou o jornalismo tornou-se obcecado pelo futuro do pretérito? Principalmente os jornais online. Sempre que eu entro é “fulano teria atirado”, “o suspeito teria sido encontrado”, “o time X teria liberado o jogador”, “fulana seria o pivô da separação”, “o carro estaria cheio de digitais”, “uma cabeça de cavalo teria sido colocada na cama do sujeito enquanto ele dormia”, e por aí vai.

Pelo visto, parece que, assim como os clubes, os jornais também estão tentando virar empresa. Afinal, trabalham mais com ESPECULAÇÃO do que com INFORMAÇÃO. A bolsa de Wall Street é logo ali.

Não é o canal

Começa o ano, e com ele, as inevitáveis tragédias – primeiro Angra dos Reis, depois o Haiti, e agora o BBB 10. Este último, aliás, provou-se notoriamente imortal, tipo uma versão do Fantasma que ao invés de deixar a marca da caveira, deixa marcas de publicidade. E como antes do lançamento pipocam várias daquelas piadas de previsões do tipo “alguém irá transar debaixo do cobertor e fingir vergonha depois”, “alguém vai trair a namorada”, e etc, resolvi fazer aqui uma lista das coisas que certamente NÃO serão ditas nem feitas dentro daquele pardieiro que chamam de “reality show”:

– Ninguém fará citações de O Poderoso Chefão;
– Ninguém dirá “e… corta!” quando a guria bonitinha começar a chorar de tristeza porque ela era a única que não havia chorado no programa;
– Ninguém dirá “ah é? Não vai me dar o anjo? Então vai pro inferno!”;
– Ninguém apelidará um dos ex-BBBs que voltaram ao programa de “Deja Vu”;
– Nenhum merchandising conseguirá ficar sequer do nível daqueles em O Show de Truman;
– Ninguém se masturbará debaixo do cobertor;
– Ninguém perguntará ao Pedro Bial “Bial, como é trocar a vida de jornalista pela de fofoqueiro?”;
– Não haverá uma MÁQUINA DE LEITURA ao lado da máquina de tríceps, na academia;
– Em nenhum momento o show será tão genial quanto o post definitivo sobre ele que foi feito lá no Solo de Air Guitar.

Jogos, trapaças e um detetive brilhante

Sherlock Holmes
4/5
Direção: Guy Ritchie
Roteiro: Michael Robert Johnson, Anthony Peckham, Simon Kinberg, baseados em… ah, vocês sabem.
Elenco
Robert Downey Jr. (Sherlock Holmes)
Jude Law (John Watson)
Rachel McAdams (Irene Adler)
Mark Strong (vilão com cara de mau e um dente torto)
Sherlock Holmes, o segundo maior detetive da história (abraço, Poirot), e seu bróder Watson se envolvem em um caso aparentemente sobrenatural, onde um lorde lá planeja um ataque que vai sacolejar toda a Inglaterra. Claro, isso implica em muitas reviravoltas, diálogos afiados, cenas de ação e, como não poderia deixar de ser, um cachorro.
Após Christopher Nolan e J.J. Abrams darem Ctrl + Alt + Del em duas franquias lucrativas (Batman e Star Trek, respectivamente) e as apresentarem de forma renovada para a geração MSN, algum produtor esperto teve o insight de renovar também aquele detetive famoso que usa um chapéu tipo o do Chaves e fuma cachimbo. E quem melhor para fazer isso do que Guy Ritchie? Afinal, ele é conhecido pela galera mais nova, pois precedeu Jesus Luz no posto de fornicador da Madonna (ele também fez dois filmes geniais, mais isso é irrelevante).
Entretanto, Ritchie não foi tão corajoso quanto Nolan e Abrams (ou não teve tanta liberdade por parte dos produtores – aqueles caras que ficam em uma sala escura rindo maquiavelicamente e botando o Adam Sandler em filmes), pois Sherlock Holmes tem alguns momentos claramente colocados ali para BLOCKBUSTERIAR o público: a tentativa de fazer uma luta “grandiosa” no clímax, a trama envolvendo a mudança de Watson e seu BROTO, um vilão tão motivado quanto um funcionário público, enfim, essas coisas que acabam destoando do resto. Também senti falta de uma linha narrativa central mais forte, pois determinadas cenas pareciam um tanto aleatórias, e a certa altura quando alguém fala “você jamais desvendará esse enigma”, eu me peguei pensando “enigma? Qual é o enigma? Tomara que ele tenha a ver com a Rachel McAdams deitada nua em uma cama, e surjam milhares de Rachels McAdams pra deitar com ela, e…”.
No geral, entretanto, o roteiro se mostra calibrado e pronto pra encher a cara. As sequências são agéis, criativas, os diálogos são inspirados, o humor está presente na medida certa (pertinente, sem soar forçado. Ou seja, nada daquela história de, no meio da maior cena dramática do universo, o cara que é o alívio cômico do filme fazer uma piada envolvendo a expressão “pum”). Visualmente, então, a coisa é ainda mais impressionante: com uma direção de arte monstruosa, Sherlock Holmes constrói uma Londres suja, quase monocromática, que salienta o clima UNDERGROUND da película. Na verdade, acredito sinceramente que a maior parte do orçamento foi gasta construindo uma máquina do tempo para voltar até a Londres vitoriana, SEQUESTRAR a cidade inteira e colocá-la em um estúdio da Warner. De resto, o ex da Madonna mostra que ainda entende do RISCADO, embora mantenha-se mais contido em termos de enquadramentos, planos, edição e cenas colossalmente vikings do que em suas obras anteriores – com exceção de um ou outro plano onde o cara solta mais a franga, o filme é conduzido de forma segura e eficaz (afinal, o grande astro aqui é um detetive extremamente racional e lógico, e fugir dessa característica na linguagem acabaria destoando). E os momentos onde Sherlock Holmes planeja seus ataques antes de entrar de vez na briga superam a TEORIA DA RELATIVIDADE em termos de genialidade.
Por falar em detetive, a melhor sacada da produção foi botar o Robert Downey Jr. no papel. Sério. Completamente em chamas, ele cria uma personagem inquieta, de olhos levemente arregalados, como se estivesse atento a tudo que acontece no recinto (inclusive fiquei com medo de jogar um papel no chão na sala de cinema, o detetive perceber e me denunciar), mas também extremamente carismática. Não há como não gostar do sujeito, e é esse o grande trunfo do filme: Robert Downey Jr. criou um protagonista absurdamente interessante. Apenas uma produção é muito pouco para ele, a galera vai querer mais. E assim está criada uma base sólida sobre a qual pode se sustentar uma franquia.
O resto do elenco está ali para dar suporte (é como um time escalado com um meia e dez volantes). Jude Law faz um Watson meio, bem… meio Jude Law demais. Não chega a comprometer, mas é aniquilado pelo Downey Jr. toda vez que ambos estão em cena. Mark Strong cumpre bem seu trabalho de ser um boneco de cera em quem o mocinho pode bater. E Rachel McAdams, embora tenha um papel bastante unidimensional, faz chover pedaços de chocolate na sala de cinema toda vez que sorri.
Sherlock Holmes faz juz à fama de seu protagonista. É inteligente, é divertido, é Rachel McAdams, é engraçado, é um bom exemplo de que blockbusters não são crias do demônio e podem sim ser criativos dentro de seu esquema. E agora que as bases já estão FUNDADAS, a inevitável continuação pode crescer ainda mais e se tornar uma película digna de comprar o DVD e fazer citações em rodas de amigos. E se eu acho que Guy Ritchie e Robert Downey Jr. tem culhões pra fazer isso? Elementar, meu caros leitores.