Diálogos em inglês que gostaríamos de ver

– What movie did you see?
– Saw 2.
– Oh, ok, what movieS did you see, then?
– Just Saw 2!

– I HEARD IT, but what were the titles of the movies?

– SAW 2!

– For fuck’s sake, why don’t you tell the fucking titles of the fucking movies? Are you a fuckin’ scratched disc?

– Fuck you, you deaf son of a bitch. Can you hear me saying “fuck you”?
– That’s it, you little prick. I wanna see you talk that way to my fucking friend here, the FUCKING COLT 45!
– Hahaha, Colt 45 is a pussy gun. What are you, a little girl?
– One more fucking word and I’ll make you suffer like those guys at that movie full of tortures and blood and stuff.
– What movie?
– Saw 2!
– Oh, fuck.

O dia em que eu achei a minha alma

Num desses domingos que não poderiam ser mais domingo, onde o tédio se espalha pela humanidade feito vídeos de animais fazendo coisas engraçadas, resolvi que ia fazer algo útil, algo que tornasse minha vida mais prática. E então decidi encontrar a minha alma.
Eu sei, eu sei, parece algo totalmente implausível,dada a minha capacidade praticamente nula de achar qualquer coisa. Mas ei, quão longe uma alma pode ir, certo? Tipo, quase cem por cento de chances que estivesse aqui em casa, mesmo. Alma não é o tipo de coisa que a gente simplesmente perde sem querer na rua, tal qual moedas ou a virgindade.
Eu não havia exatamente traçado um plano de exploração, então resolvi começar pelo óbvio: as prateleiras da estante aqui do quarto que sustentam meus livros, meus filmes e meu óculos escuro parecido com os dos xerifes norte-americanos (sequer considerei a hipótese dela estar no óculos, entretanto, pois não ostento um bigode parecido com os dos xerifes norte-americanos). Dei uma olhada superficial por tudo, mas em vão. Só o que achei nessa primeira inspeção foram notas de dinheiro presas em uma ratoeira no lugar onde deveria estar o livro Clube do Filme. Talvez uma abordagem mais direta e mais específica fosse necessária. Então, esperançoso, peguei o Ficções, do Borges, virei na horizontal e folheei rapidamente as páginas para ver se algo caía dali. E caiu, mas era só um cupim intelectual que se aventurava por talentosos ensaios e crônicas. Contudo, confesso que isso não chegou a ser uma grande decepção, ou uma surpresa negativa. Eu sabia que era uma tentativa fadada ao fracasso. Afinal, encontrar uma alma comum e infame no meio das palavras arrebatadoras de Borges é algo tão provável quanto vencer a loteria da Babilônia.
Eis que, lembrando dos valorosos ensinamentos de Hollywood, apostei no clichê e puxei triunfante o DVD de Clube da Luta, o qual tem – ou ao menos deveria ter – escrito à caneta na lateral os dizeres “Projeto Bíblia”. Era algo tão óbvio que não havia como não estar ali. Por isso talvez tenha sido uma coisa boa o fato de realmente não estar ali, pois indica que eu ainda consigo surpreender a mim mesmo. Tudo que achei dentro da caixinha do DVD foi o meu alterego imaginário, que parece como eu gostaria de parecer, fode como eu gostaria de foder, é inteligente, capaz, e, mais importante, é livre de todas as formas que eu não sou. Sujeito bacana ele, apesar de ligeiramente esquizofrêncio.
Dei uma vistoria caprichada no Xbox, onde vi apenas um punhado de conquistas virtuais, nas latinhas de cerveja, que abrigavam única e exclusivamente histórias embaraçosas, e na mesa de botão, que guardava nas imperfeições de sua velha madeira uma infância inteira, mas desconhecia totalmente as desilusões de uma vida  adulta. Por um momento imaginei tê-la encontrado por entre as camisetas de futebol, e cheguei a dar uma volta olímpica pela casa em comemoração. Entretanto, ao pegar a camiseta da seleção da Espanha, lembrei que ela não possuía o número 10 nem o nome Fábregas às costas, e me dei conta de que, por ser ela mesma incompleta, minha alma jamais se esconderia em um lugar também incompleto.
Fui verificando todos os cantos, todas as possibilidades, dando voltas e voltas pela casa, mas eram sempre buscas infrutíferas. E, tal qual acontece com todos que tentam realizar algo no domingo, desisti. Simplesmente deitei na cama, frustrado. Eu parecia estar quase lá, perto o suficiente pra senti-la, distante o suficiente para não alcançá-la. Só que faltava algo, e esse algo não me deixava completar a busca.
Foi quando uma última possibilidade seduziu minha mente. Uma bastante simples e óbvia, admito, mas nem por isso menos interessante. Então, tomado por uma sensação que todos conhecemos bem, olhei debaixo da cama. E sorri, comemorei, levantei os braços, dei pulos de alegria. Eu a havia encontrado: uma palheta. Puxei ela e a segurei entre os dedos, sentindo o som praticamente ecoar sozinho daquele pequeno objeto. Com a mão livre peguei o violão, que guarda nas imperfeições de sua madeira os exageros da adolescência e a divertida maturidade de um início de vida adulta. Demorei tempo suficiente afinando ele, me certificando de que cada nota soaria exatamente como deveria soar. Testei alguns acordes, batendo a palheta de leve nas cordas já desgastadas. E comecei a tocar Thunder Road.

Não comprei a ideia

Hoje eu fui até o Iguatemi pra assistir a O Discurso do Rei (mais tarde posto a crítica em algum lugar). Ah sim, abro aqui um parênteses pra dizer que, apesar de ótimo filme, a indicação dessa película pra nada menos que doze Oscars é é uma metáfora sobre como a humanidade está tomando o caminho errado, e fecha parênteses. Enfim, Iguatemi. Matando tempo antes do cinema, dei uma circulada pelo shopping. E me ocorreu que não apenas eu sou indiferente à maioria das lojas do recinto, mas também que as ligeiramente atraentes me intimidam. Elas são bonitas demais, organizadas demais. Repletas de protocolos a serem seguidos, o que enterra aquela ideia de que toda ação provoca uma reação, pois nessas lojas cada ação provoca o início de uma das regras do manual dos vendedores.
Sei que criticar a artificialidade de um shopping center é tão pertinente quanto dar bóias a um peixe ou chuteiras a um Robinho. Mas o ponto aqui não é o consumismo, e sim a feiúra decorrente desses protocolos e arquiteturas e paisagismos e etcéteras. Tudo tão milimetricamente calculado que não faz efeito. Tudo tão impunemente branco que chega a ser risível. É como uma daquelas gurias que realmente é bonita, só que daí chega na formatura e ela tenta traduzir o photoshop pra vida real, tomando um porre de maquiagem e cortes de cabelo na tentativa de ficar perfeita, quando tudo que consegue é uma passagem de trem para a estação “eu achava que ela era gata, mas olhando bem agora…”. Uma feiúra tão ridícula, tão desgraçadamente óbvia que eu fico parado ali na frente, pensando se devo entrar na loja e me submeter a um determinado número de procedimentos que teoricamente me levariam até a compra, mas só me afastam dela. Vejam bem, o problema não é a artificialidade do ambiente; o problema é ver tudo tão metodicamente arrumado para gerar determinado tipo de reação, tentando vender o status de vitória, quando tudo aquilo na verdade representa apenas pessoas sem imaginação se comunicando com outras pessoas sem imaginação. A chatice em nível Defcon 1.
Lição de casa a todos: desenhar por cima das linhas.

Levando na conversa

Sou total e completamente iletrado na arte de conversa furada (ou conversa de elevador, small talk, seja lá como chamam). Provavelmente, quando eu nasci, Deus substituiu essa parte do meu cérebro pela turma de neurônios que me permite saber de cor a escalação da seleção da República Tcheca que jogou a Euro 2004 (Cech; Grygera, Rozenhal, Ujfalusi e Jankulovski; Galasek, Poborsky, Rosicky e Nedved; Baros e Koller). Ou talvez seja efeito colateral de bater tantas vezes a cabeça na parede durante partidas de videogame. Seja qual for o motivo, não estou apto a realizar tal tipo de conversa.
Isso, claro, faz com que eu acabe frequentemente em situações que exigem a habilidade de prosear levianamente, ou seja, exigem uma carga descomunal de conhecimento sobre assuntos que são tão importantes para mim quanto, digamos, o povo é importante para um governo. Novelas, reality shows, tempo, animais de estimação, trânsito, responsabilidades da prefeitura, entre outros, são temas mais do que comuns nesse tipo de conversa. Temas que, ao entrar na minha cabeça, são sumariamente caçados, capturados e executados, sem nenhum perdão ou espaço para fuga. Sem sobreviventes. Sem testemunhas. Eu até poderia colocar um pouco do meu interesse em cada assunto, mas convenhamos, taxistas gostam de falar sobre o tempo que vai fazer durante o fim de semana, e não paradoxos temporais que podem resultar no fim do universo.
Portanto, venho aqui declarar que sou incompatível com a humanidade. Aceito que me levem para uma ilha deserta, longe de tudo, e me deixem lá para que vocês possam conversar em paz e eu possa fazer desenhos do Sonic na areia em paz. Tudo que eu exijo é que eu possa levar comigo alguma distração, algo pra me manter ocupado durante épocas difíceis – a Scarlett Johansson tá de bom tamanho.