Until the end of the world

Como vocês sabem, o LHC, também conhecido como “acelerador de partículas”, “Grande Colisor de Hádrons” ou “TUBÃO”, foi ligado hoje. Graças à Cruyff o mundo não acabou, mas nunca se sabe, talvez a coisa vá por partes. Portanto, fiquem atentos aos eventos que descreverei abaixo, pois eles podem ser o sinal de que a vaca está realmente indo pro brejo:
O iPAD não parece tão impressionante agora, certo?
– Elano desconvocado da seleção;
– Ônibus chegando precisamente nos horários;
– Pessoas conseguindo cancelar cartões de crédito que elas não haviam requisitado;
– Ivete Sangalo não sorrindo;
– Um pão caindo com o lado da manteiga pra cima;
– Josué desconvocado da seleção;
– Um trending topic brasileiro no Twitter que possua alguma coisa minimamente relacionada à bom senso;
– Uma pessoa que REALMENTE usa o celular pra telefonar;
– Guns and Roses saindo em turnê com seu mais novo disco, Chinese Democracy, após este ser lançado.
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Dragões completamente em chamas

Como Treinar seu Dragão (How to Train Your Dragon)
5/5
Direção: Dean DeBlois e Chris Sanders
Roteiro: Dean DeBlois e Chris Sanders, baseado em livro de Cressida Cowell
Elenco
Jay Baruchel (voz do Soluço)
Gerard Butler (voz do Stóico)
America Ferrera (voz da Astrid)
Jonah Hill (voz do Melequento)
Desde que Toy Story inaugurou o mercado dos longa-metragens de animação computadorizada, a Pixar utilizou-se de algum código da Konami e largou na frente, deixando o resto da galera comendo poeira. Só que em algum momento a Dreamworks percebeu que não bastava colocar um ogro verde parodiando cenas de filmes para fazer algo memorável, e decidiu que ia tocar o terror pra cima da Disney. Porque este Como Treinar Seu Dragão é um salto, uma catapulta, um BURACO DE MINHOCA de qualidade em relação ao que a empresa estava apresentando. E a Pixar deve estar sentindo bafo quente de dragão no cangote.
Já no início somos apresentados aos problemas da vila, que sofre ataques constantes de mulheres feias dragões (por outro lado, devem ter poucos mosquitos por lá). E ao mesmo tempo que isso estabelece a posição dos vikings enquanto predadores dos animais, apresenta Soluço como um pirralho espirituoso e sensível que destoa daquele mundo. Por isso, não é surpresa quando, ao invés de matar um dragão Fúria da Noite (apelidado mais tarde de Banguela. Ah, as crianças e sua criatividade…), o guri se torna bróder dele. Da mesma forma, vamos percebendo a inteligência daquele garoto ao perceber diversos detalhes, interpretá-los, aplicar seu conhecimento, construir sua própria personalidade, que não é o que esperavam dele (e nem mesmo o que ele queria no início), mas sim o caminho que ele descobre no meio das dificuldades. Um avassalador trabalho de construção de personagem, que faria Tchekov chorar no cantinho de inveja.
Já o visual é completamente desnorteador, tanto pelos efeitos 3D (também conhecidos como “cuidado, está vindo na nossa direção!”) como pela qualidade da animação – percebam a fluidez com que as barbas e cabelos dos vikings se movimentam, e também a preocupação com os PÊLOS DOS BRAÇOS das personagens, o que denota uma muito bem-vinda obsessão de CONTROLAR A NATUREZA por parte dos diretores. Da mesma forma, a aldeia viking, localizada em uma estrutura irregular de rochas, cujas construções são feitas à base de madeira e pedras, torna-se não apenas sem vida como também opressiva. Mesmo os grandes salões são tão envoltos em sombras quanto a Igreja Católica, o que também ajuda no contraste com Soluço, que é um molecote com cabelo stáile e pra lá de empolgado (não à toa o lugar onde ele e Banguela fazem amizade é repleto de verde, rios, sol, pássaros cantando e Scarletts Johanssons correndo nuas pela RELVA). E o trabalho da direção de arte é tão enveredado com o roteiro que, conforme a percepção dos vikings se altera ao longo da narrativa, a aldeia ganha uma atmosfera completamente diferente.
Também faz-se necessário reverenciar o trabalho dos diretores Dean DeBlois e Chris Sanders: totalmente alucinados, com ambições JAMESCAMERONIANAS, eles criam sequências que levam a expressão “poesia visual” ao ponto de ruptura, que pegam a expressão “grandiosidade” e a devoram como se fosse uma CAIXA DE BIS. Impossível não ter os batimentos cardíacos descompassados enquanto Soluço e Banguela sobrevoam paisagens sensacionais, derrapam nos mares, tocam nas nuvens, em inacreditáveis planos abertos que enchem os olhos e dão nós nas gargantas dos espectadores. Uma das melhores utilizações não apenas do 3D, mas também das oportunidades oferecidas pela animação (a câmera segue o menino e o dragão onde eles forem, sobe, desce, dá a volta, sem medo de ser feliz). Como se tamanha beleza não fosse o suficiente para ABATER o público, a trilha sonora dispara melodias épicas sem perdão, praticamente obrigando o pessoal da sala de cinema a despejar adrenalina no formato de lágrimas.
Como Treinar seu Dragão é puro deleite visual, mas também uma comovente história de crescimento e aprendizado. Possui uma profundidade até então inédita nas produções da Dreamworks, transmitindo sua mensagem de forma cativante, sincera e verdadeira (há uma preocupação em evitar as “concessões felizes”, tão presentes em blockbusters). Fazer o paralelo com Coração de Dragão, outra espetacular obra onde homem e réptil alado forjam uma amizade singela diante de circunstâncias desfavoráveis, é inevitável, o que não deixa de ser um elogio. Porque esse Como Treinar seu Dragão é uma verdadeira experiência que faz a galera acreditar na tão clichê e abandonada expressão “a magia do cinema”.

Ready for the laughing gas

Foi só o Big Brother Brasil entrar em sua reta final que já lançaram um novo reality show. Como sempre, o programa tomou de ASSALTO a mídia nacional, que reverbera qualquer acontecimento dentro do recinto onde os participantes estão selados com uma importância inversamente proporcional à que possuem. Espirros viram furacões, choros viram tsunamis, discussões viram terremotos. A histeria coletiva dos fãs, torcendo desesperadamente por alguma das personagens, também está presente, e não seria surpresa total se alguém levantasse a camiseta com os dizeres “RIO 2016”, “Copa 2014” ou “TIM: com você a todo momento” – por falar nisso, podem esperar algum merchandising completamente nonsense e que desafia os limites não apenas da lógica, mas da REALIDADE, vindo de alguma grande empresa. Enfim, todo o recheio que compõe um reality show.

Vocês já assistiram algum episódio? Não vi nenhum, mas disseram que é intenso. O nome é “Julgamento dos Nardoni”.

Série "Todo Mundo em uma Ilha"

Temporada 06, Episódio 09

Vamos embora. Na rodinha da turma do Jacob, os losties descobrem que são “candidatos”, que a mina da metranca foi incumbida de protegê-los, e que Richard HIGHLANDER sabe qual é o próximo passo. É aí que Richard tem um chilique histérico, diz que na verdade todos eles estão literalmente mortos e no inferno – provavelmente falava dos fãs de LOST que aguentaram episódios como aquele da Kate – e sai emburrado atrás do Locke Fumacê.

Ao invés de realidade alternativa, aqui temos mais um flashback, como nas primeiras temporadas, porque essa fórmula fazia mais sucesso. Descobrimos que Richard morava nas Ilhas Canárias no século dezenove, que ele tinha uma esposa e que ela morreu de uma doença conhecida como “PROFUNDIDADE DRAMÁTICA PARA OUTRA PERSONAGEM”. Richard mata acidentalmente (o que acontece muito em LOST, aliás. Mas divago) um médico na tentativa de afanar um remédio que poderia salvar sua mina, e é preso. Mas antes de ser enforcado o capitão Hanso liberta ele e o chama para uma viagem de navio até o “novo mundo” (abraço, Terrence Mallick!).
Claro que acabam dando com os burros na água (trocadilho obrigatório): no meio do aguaceiro que é o oceano, eles avistam uma ilha, e uma forte tempestade faz com que o navio (nome do navio? Black Rock) se choque com uma estátua enorme (dedos no pé da estátua? Quatro) e ambos fiquem em pedaços. Toda a galera morre e Richard e é solto pelo Locke SMOKE ON THE WATER (que está na versão 1.0, com aparência diferente). O Fumacê diz que eles estão literalmente no inferno, explica que Richard precisa matar “o diabo” Jacob (aparentemente, os dois são uma versão live action do Coiote e Papaléguas) pra escapar, só que na hora H o Highlander Cover toma um SAFANÃO e muda de lado. Jacob explica então que a Ilha é como um rolha protegendo uma garrafa inteira do que Richard chama de “inferno”, “maldade”, “Robinho”, etc., e que, caso escape, o homem-fumaça vai tocar o terror no mundo e deixar o mal bandear pra tudo que é lado. Diz também que o Fumacê acredita que todo mundo é corruptível, e que ele (Jacob) chama as pessoas na ilha para provar o contrário. Por fim, oferece ao Richard um TRAMPO pra ser uma espécie de mensageiro entre o Jacob e os próximos visitantes da Ilha, provavelmente a primeira vaga de atendimento publicitário a surgir no mundo. Em troca, Richard vira imortal.
Ufa. Voltamos à Ilha nos tempos atuais, onde Richard foge da turminha do Jacob e pega de volta uma corrente que sua esposa havia lhe dado e que estava escondida num canto lá. Mas Hurley, que tem o dom de falar com os mortos quando o roteiro precisa, conversou com a esposa dele e seguiu o cara. O gordinho diz pro Highlander Cover o que a noiva-cadáver falou, é um momento emocionante, blablabla. No final, Hurley avisa que ela pediu para Richard impedir que o Fumacê saia da Ilha, senão “vamos todos para o inferno” (incluindo eu e você, leitor!). Um plano rápido mostra o Locke SMOKE ON THE WATER olhando os dois enquanto faz expressões misteriosas.
De volta ao passado, vemos Jacob encontrar o Fumacê 1.0, trocar uma ideia com o cara e depois entregar a ele a garrafa de vinho que usou na explicação pro Richard. Após Jacob vazar, o Fumacê solta uma frase de efeito e quebra a garrafa numa rocha, em um claro sinal de que coisas ruins vem por aí. E então o episódio chega ao final.

Redes sociais, frases sofríveis

A implementação de diferentes redes sociais pela TEIA mundial de computadores criou uma nova necessidade: a de se definir de forma interessante suficiente, em caracteres suficientes, parecendo legal o suficiente para que pessoas suficientemente bacanas adicionem você à TEIA de contatos delas.

Para tornar isso mais fácil, a galera utiliza alucinadamente frases de efeito, sentenças pré-fabricadas, citações atribuídas erroneamente a determinados autores, e por aí vai. Na minha grande batalha por trazer justiça ao mundo, peguei algumas dessas frases e resolvi descontruí-las, o que inevitavelmente trará a paz mundial ao planeta e fará com que Jonas seja reconhecido como o maior atacante brasileiro da atualidade:
Garotas boas vão pro céu, garotas más vão pra onde quiserem.
Essa nem exige muita reflexão, pois há um erro grotesco de lógica ali: se as garotas más não podem ir pro céu, então elas não podem ir pra onde quiserem, o que invalida toda a frase. Tentem de novo.
OBCECADO é a palavra que os preguiçosos usam para definir as pessoas DETERMINADAS!
Vi essa frase em alguns perfis de pessoas que praticam exercícios físicos de forma… bem, de forma obcecada. Vamos virar o parafuso pro outro lado: um sujeito franzino, de óculos, que se mata trabalhando aos fins de semana apenas para comprar uma miniatura da Millenium Falcon que custa doze mil dólares. A galera da HIPERTROFIA acharia ele determinado ou obcecado? Exatamente.
Porque embora quem quase morre esteja vivo, quem quase vive já morreu.
Hein? O que seria “quase viver”? Será que ficar utilizando citações alheias ao invés de construir uma ideia própria se encaixaria nesse conceito? E ainda usam essa frase como se fosse do L. F. Veríssimo? IGNOMÍNIA!
Críticas não me abalam, elogios não me elevam.
Aqui temos duas situações: imagine você, mulher, encontrando-se com um sujeito pelo qual possui forte apreço romântico, alguém que mexe com seu coração e sua digestão, e ouvir dele um “ô, tá gordinha, hein?” seguido de um apertão na região do umbigo saliente; e imagine você, homem, indo pro quarto com aquela loira de seios titânicos, onde ela tira suas calças, olha pra você desnudo e solta um “er… deve ser o frio, né?”, enquanto fazem 39°C lá fora. Acho que provei meu ponto.
Sua inveja é o meu sucesso.
Gatinhos de botas do SHREK são EMPALADOS toda vez que alguém usa essa frase em algum lugar. A simples presunção de assumir que os outros estão com inveja já torna a pessoa desprovida de QUALQUER COISA que possa remotamente instigar algo além de PENA DESCONTROLADA.

Scorsese na cabeça

Ilha do Medo (Shutter Island)
4/5
Direção: Martin Scorsese
Roteiro: Laeta Kalogridis, baseado em livro de Dennis Lehane.
Elenco
Leonardo DiCaprio (Teddy Daniels)
Mark Ruffalo (Chuck Aule)
Ben Kingsley (Dr. Cawley)
Michelle Williams (Dolores Chanal)

Em 1954, Teddy Daniels é um agente federal que vai para uma ilha isolada investigar uma paciente que tomou chá de sumiço. No entanto, para acompanhar o sucesso de LOST, coisas estranhas começam a acontecer na Ilha, e logo Teddy envolve-se em situações que colocarão em xeque sua própria sanidade.

Como sempre, o título brasileiro não faz jus ao original e à história – o correto seria algo como, por exemplo, Ilha do FREUD EM CHAMAS. Porque o que realmente toca o terror ali, com o perdão do trocadilho, é o desgaste psicológico no qual o protagonista é DESOVADO. É angustiante. Scorsese cria uma ambientação opressiva, que vai desgastando o espectador conforme a história se desenrola. Mais ou menos o equivalente a assistir uma convocação da seleção brasileira e torcer pro Gilberto Silva não ser chamado.
A tramóia já começa sinistra, com um navio surgindo no meio da névoa, e a primeira fala basicamente resume o filme. Daí a coisa engata em uma história intrincada, onde Teddy desconfia de tudo e de todos, e sai ESCARAFUCHANDO a ilha pra tentar descobrir a verdade. As motivações do protagonista sempre soam plausíveis, e a história envolve perfeitamente o espectador na paranóia que se forma na cabeça do Teddy, a não ser quando algum flashback se mete no meio e quebra um pouco o ritmo da narrativa (sim, eu sei que eles são importantes; sim, eu sei que eles são bonitos; sim, eu sei que eles possuem significados que vão fazer psicanalistas lamberem os beiços; mas aqui e ali eles não são tão orgânicos assim). Além do mais, o roteiro não se adequa a estruturas pré-concebidas, e a imprevisibilidade da trama mantém a engrenagem do filme rodando alucinadamente.
Claro que nada disso faz diferença, porque Martin Scorsese dirige película de forma tão emblemática que, caso a história fosse uma BULA DE REMÉDIO, ainda assim seria digna dos mais exacerbados elogios. É impressionante o domínio que o sujeito tem da narrativa – a cena em que Teddy caminha por um corredor escuro, por exemplo, é de uma tensão devastadora (Scorsese sabe que, enquadrando DiCaprio no canto, deixa um espaço que sugere que algo vai acontecer ali, e assim transforma o coração do espectador em uma bateria de escola de samba). Além do mais, busca sempre enquadramentos elegantes, nunca se rendendo a soluções ou sustos fáceis, seja em cenas mais íntimas ou mais violentas (o travelling na hora da execução dos nazistas é colossal. Fui obrigado a criar um sétimo sentido para apreciar a cena de forma adequada). Com exceção de um ou outro chroma key meio truncado, Ilha do Medo é visualmente irretocável, graças também à ótima direção de arte, que cria um mundo cinzento e sem vida, com exceção dos flashbacks (e um deles, de tão colorido, torna o momento ainda mais cruel e horrível). Para fechar a questão da ambientação, a trilha minimalista, com notas limpas e sem aquela barulheira súbita tão característica dos filmes de “terror”, mantém o espectador em estado constante de “PUTAQUEPARIU ACABA LOGO COM ESSA TENSÃO”.
Para não jogar pelo ralo tanto esforço em prol de um filmaço, Scorsese escolheu um elenco homogêneo: Mark Ruffalo demonstra tranquilidade e serenidade como Chuck Aule (e é dono de um aceno de cabeça no final que levaria às lágrimas até o zagueiro mais adepto da brutalidade física), Ben Kingsley atua de forma tão racional que torna o Dr. Cawley uma personagem ao mesmo tempo dúbia e confiável, e Michelle DAWSON’S CREEK Williams é extremamente gata. Só Leonardo DiCaprio exagera às vezes na intensidade, fazendo com que o drama de Teddy soe um pouco teatral.
Ilha do Medo é uma película de trama complexa, direção segura, elenco cativante, aspectos técnicos EM RIBA. E como se não bastasse, Scorsese ainda joga uma última linha de diálogo que eleva a discussão de realidade para outro nível. Sabe muito esse menino.

Post exclusivo

Esses dias estava pensando sobre a palavra “exclusivo”, que os anúncios costumam usar para atrair os consumidores, algumas festas usam pra fazer seus convidados sentirem-se mais importantes, enfim, uma palavra que apela ao tradicional instinto humano de querer ficar na CRISTA DA ONDA.

O engraçado é que a galera não parou pra pensar muito na expressão em si. Tipo, “exclusivo”. Vem de “excluir”. Reflitam. Não é “inclusivo”. Ou seja, naquela festa onde apenas o sujeito e mais noventa pessoas foram convidadas, incluindo a morena cujo decote instiga mais do que a última temporada de LOST, não é que o cara foi “bom” o suficiente pra ser incluído; ele apenas não fez parte dos “excluídos” (a morena, sim, fez por merecer. Deus abençoe os seios fartos). Então a tal festa é quase a mesma coisa que uma triagem médica, com exceção de que tem muito mais substâncias químicas e pessoas doentes na festa.
O que nos leva a toda uma cultura de exclusão. Todo mundo quer ser exclusivo, e daí podemos inferir que todo mundo quer excluir os outros. Egoísmo em nível 99 no Winning Eleven. Quando os anúncios dizem “promoção exclusiva”, eles já estão dizendo “ok, essa promoção não é pro fulano, mas não vamos fazer muito alarde a respeito”. As festas idem. Sei que eles acham que estão na verdade chamando diretamente a alguém, e massageando o ego dessa pessoa, que por sua vez também acha que possui um brilho especial, e assim por diante, mas não é. Basicamente, o que fazem é apenas empurrar o resto da galera um passo pra trás quando alguém pergunta “quem quer ser convidado pra festa/participar da promoção, dê um passo à frente”.
Então lembre-se: você não é um floco de neve especial (abraço, Tyler Durden). Você não passa de um grande excluidor, assim como eu e todo mundo, e todas as vezes que pensou que era especial, na verdade você estava privando outros de alguma coisa. E boa parte da construção do ego através de sentimentos como orgulho, altivez e individualidade estão diretamente relacionados com uma sensação agradável de excluir pessoas. Passamos a vida assim. Não me surpreende, então, que sejamos capazes de atos tão estúpidos, tão mesquinhos, tão bestiais. É algo inclusivo a nós, humanos.

Quem é vivo, às vezes, quem sabe, aparece..

10:15. Faz um calor bem forte em Itajaí. Quem diria eu, numa quinta feira pela manhã, escrevendo este texto no hall de um hotel aqui, tão longe de Porto Alegre? Rumo neste instante para São Paulo, nova cidade, nova etapa da minha vida.

Este blog que raras vezes entrei no último ano, elo que ainda une gaúchos e paulistas, agora vai ter mais um cara pendendo para o lado deste último grupo. Sou gaúcho com muito orgulho e amo minha terra, mas estou contente em ter um novo desafio pela frente.

Espero encontrar o Leandro e o Thiago por lá, e, se possível, ver alguns jogos do Grêmio ao vivo lá também, hehehe… Estou indo de malas, cuia, bomba, erva-mate, e todas as minhas quinquilharias para a maior cidade do país. Quero crescer mais. Deixo um grande abraço àqueles que ficam e um conselho: o tempo não para!! \o/

Abraços
Bruno

Série "Todo Mundo em uma Ilha"

Temporada 06, Episódio 08

Vamos em frente, já que o seriado continua estagnado. No episódio de hoje, Sawyer encontra Jin na OCA que a Claire construiu, e logo se juntam ao resto da turminha do Locke FUMACÊ. Eles decidem caminhar para a floresta, porque ficar parado é chato e tal, e lá se vão. No meio do caminho, Locke SMOKE ON THE WATER manda Sawyer pra ilha B, verificar qual é a do avião que desceu lá (o que levou Kate, Jack e os outros, imagino) e se naquele mato tem coelho. Enquanto isso, na ilha A, baixa uma POMBA-GIRA na Claire e ela tenta matar a Kate gostosa. Provando que realmente não é humano, e muito menos homem, o sr. Fumaça lá interrompe a briga das minas, ao invés de tomar a atitude certa, que seria colocá-las num ringue com gel.

Na realidade alternativa, descobrimos que James “Sawyer” Ford é um policial, que tem Miles como parceiro e que continua atrás do Sawyer original, que arrasou sua família (o pai do Locke. O Locke verdadeiro, não o Locke “Água a 100° C”). Ele mente aqui, mente ali, Miles fica brabinho com isso, mas James Ford acaba desabafando tudo, Miles desemburra e parece que a vida vai seguir seu curso quando subitamente os dois MEGANHAS precisam sair atrás de um suspeito a pé, pegam ele, e descobrem que, na verdade, essa pessoa é… ela é… quem será que ela é? …. ela é a… a Kate! (atenção para as pessoas tapando a boca e dizendo “oh” com os olhos arregalados, agora)
De volta à ilha B, então. Sawyer encontra uma mina, cai no XA-LÁ-LÁ dela e de repente se encontra sob a mira de oitocentas metralhadoras. É levado então até um submarino, onde se encontra com Charles Widmore, e faz um acordo: vai levar o Locke Fumacê até lá como se estivesse tudo tranquilaço pra Widmore abater o sujeito, em troca de uma passagem pra vazar da ilha. Quando volta a se encontrar com o Locke SMOKE ON THE WATER, Sawyer explica TINTIM POR TINTIM o que viu lá, fala do acordo, e diz que se mudarem os planos de ataque, vão pegar Widmore com as calças na mão. Após mostrar que é dúbio e, por isso, uma personagem PROFUNDA, Sawyer encosta na Kate e diz “enquanto a cobra estiver fumando entre os dois lá, nós dois pegamos o submarino e daí é sebo nas canelas”. Então o episódio acaba.

Nick Hornby, cadê você?

Educação (An Education)

3/5
Direção: Lone Scherfig
Roteiro: Nick Hornby, baseado em livro de Lynn Barber
Elenco
Carey Mulligan (Jenny)

Peter Sarsgaard (David)
Alfred Molina (Jack)
Olivia Williams (Miss Stubs)

Na Inglaterra de década de 60 a menina Jenny, uma colegial de 16 anos, praticante de violoncelo, inteligente feito o GOOGLE e bastante aplicada nos estudos, acaba se apaixonando por David, um homem mais velho, trambiqueiro e metido a cool. Então a história corre de forma a passar lições de moral que… bem, que são de acordo com a inglaterra da década de 50, pode-se dizer.

Apesar de se passar numa época onde as pessoas eram tão imaginativas quando um quadro do Zorra Total, Educação segue por um caminho bastante dinâmico, o que já fica claro nos animados e serelepes créditos de apresentação. Entretanto, apesar das tentativas, a película não consegue manter o CLIMÃO por muito tempo, perdendo-se nas previsíveis reviravoltas dramáticas, falta de coesão entre as cenas e um terceiro ato apressado. Além do mais, a mina gatinha lá sequer aparece pelada em cena. Sacanagem!
Escrito por Nick Hornby, também conhecido como “o Cruyff das letras” (alcunha criada por mim, e conhecida apenas por mim), o roteiro inicia de forma assaz interessante, levando para aquela inglaterra os diálogos rápidos e envolventes de Hornby. Assim, como quem está com FEBRE DE BOLA, a história vai envolvendo o espectador, mostrando o valor da ALTA FIDELIDADE de Jenny para com as artes e tornando David um sujeito que poderia dar uma aula de COMO SER LEGAL. Mas antes que pensemos “é UM GRANDE GAROTO esse Nick, mesmo”, a tramóia sofre UMA LONGA QUEDA e resvala para situações forçadas, cujo único propósito parece ser jogar a história pra frente. E é aí que a vaca vai pro brejo, pois o que antes parecia ser uma simpática narrativa sobre duas pessoas se descobrindo, torna-se uma trama de folhetim.
Contando com uma perspicaz direção de arte, que além de recriar uma Londres de outra época de forma convincente abusa das linhas retas como se não houvesse amanhã (o que dá um ar de chatice digna de um torneio de pontos corridos, e ajuda o espectador a compreender os pensamentos de Julie), o filme se mantém bastante seguro e convencional na maior parte do tempo. A diretora Lone Schergif economiza nos enquadramentos e até nos movimentos de câmera, guardando estes para os momentos onde Jenny e David estão juntos e conferindo assim mais veracidade à diversão entre ambos. Mas as escolhas da diretora acabam esmorecendo junto com a história, e conforme o filme vai chegando ao final, aquela JOVIALIDADE inicial é substituída por uma mensagem extremamente CARETA.
O grande destaque da película mesmo é a atuação de Carey Mulligan, completamente em chamas como Jenny, que mesmo sem grandes trejeitos ou exageros consegue transmitir emoção, e tem um sorriso que faria Hitler dar comida na boca dos judeus. De resto, apenas um “ok” para o resto do filme, que só foi indicado ao Oscar porque o número de candidatos aumentou pra 10 esse ano, e porque ninguém ali teria coragem de deixar a gatinha da Carey Mulligan com beicinho de triste. Entendo.