Série "Todo Mundo em uma Ilha"

O Final Alternativo ou Como eu Parei de me Preocupar e Passei a Amar o Magnetismo

Este final inicia-se após o episódio 14, ou seja, acontece do tenebroso episódio 15 em diante – tudo anterior a isso continua como mostrado na série. Por motivos óbvios de tamanho, vou me focar mais nos acontecimentos gerais do que em detalhes.
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Após a morte de Jin e Sun no episódio 14, as coisas seguem mais ou menos como no episódio 16: os losties vão atrás de Desmond, e o Locke CO2 invade a casa do Ben, matando Widmore e a mina dele e jogando Richard na floresta e tal. Então o Jacob chama os losties pro bate-papo e explica tudo: ele e o Fumacê sempre foram guardiões da Ilha, sempre existiram, apenas os dois, e ambos se chamam Jacob (vou continuar me referindo ao sujeito de fumaça de outras formas, pra evitar confusão). Mas um dia eis que um navio cheio de homens chegou ao local. Jacob não se envolveu e ficou no canto dele, só que o Fumacê achou interessante as ideias dos homens pra usar o magnetismo da Ilha, e ficou ajudando os caras. Quando colocaram aquela famosa roda, Jacob sentiu o perigo e discutiu feio com Fumacê – entretanto, não conseguindo convencer o irmão, Jacob partiu pra porrada e acabou lançando o CO2 bem no coração da Ilha, ou seja, onde o magnetismo tem força total. O Fumacinha teve seu corpo desintegrado e transformado em milhares de partículas (tipo o Dr. Manhattan em Watchmen), que ele passa a poder controlar e vira “o monstro de fumaça”, e não pode sair da Ilha porque o magnetismo o prende. Sua única saída é destruí-la e liberar toda a força magnética, só que isso fatalmente inverterá os polos magnéticos da Terra e destruirá o mundo (tipo o filme 2012). Era esse o “mal” que Jacob se referiu quando explicou a função da Ilha a Richard. Jacob então diz que eles precisam matar o monstro de fumaça e pede pra um deles ser o guardião. Jack aceita, bebe a água sagrada e a galera vai atrás do Desmond.
Na realidade alternativa, aos poucos Desmond vai acordando os outros. Quando ele “acorda” Faraday, este pensa um pouco e chega à seguinte conclusão: a avassaladora força da Bomba H que Juliet explodiu, somada ao magnetismo e à coisa que estava causando as viagens no tempo (já explicarei sobre ela) criou uma espécie de buraco de minhoca, como uma defesa da natureza contra o paradoxo do avô (Juliet NÃO PODERIA explodir a bomba, porque ela nunca havia explodido antes). Ele explica que todo buraco de minhoca tem uma entrada e uma saída. A explosão causou a “entrada” e uma realidade que não pode existir (ao chegar no momento da bomba explodir, isso não acontecerá, e essa “falha” criará um looping temporal que destruirá o universo). Entretanto, eles ainda tem uma “saída” pra consertar tudo (mais ou menos como no filme Donnie Darko). Faraday faz alguns cálculos e descobre que a “saída” ocorrerá em 42 horas, 23 minutos e 48 segundos, exatamente na virada do dia 15 para o dia 16 (42-23-4-8-15-16). Então eles se prontificam a “acordar” todo mundo rapidamente para ajudar.
Na outra realidade, Ben pergunta a Locke Fumacê como a Ilha se move no tempo, e este explica: a “roda” canaliza uma ínfimo corte no magnetismo da Ilha justamente onde ele é mais forte. Isso cria uma espécie de efeito Casimir – como a força do magnetismo ali é descomunal, o que era pra ser um vácuo na verdade vira um mini-buraco negro no coração da Ilha, que a move aleatoriamente pelo tempo. Daí eles chegam até o poço e vêem que o Desmond não está mais lá (enquanto isso, Miles e Richard encontram Lapidus boiando no mar e vão todos pro avião, exatamente como aconteceu no episódio 17). Desmond então conversa com os losties e diz que sabe o que fazer. Assim, todos seguem para o QG do Widmore na Ilha B, onde encontram Miles e etc e armam um plano. Mas enquanto Desmond armava uma das cercas sônicas, Locke CO2 aparece. Desmond foge e é seguido pelo Fumacê.
Na realidade alternativa, Faraday se dá conta que Desmond é a constante entre as duas realidades, e que ele é a chave de tudo. Com a ajuda dos losties, constrói uma máquina semelhante àquela que Widmore usou em Desmond no episódio 11. Coloca o bróda no meio dos geradores e pergunta se ele está pronto, apenas para ouvir a resposta “See you in another life, brother”.
Na Ilha B, Locke CO2 segue Desmond até um galpão, onde eles tem uma conversa cheia de frases de efeito e olhares penetrantes. Então Desmond pega o walkie-talkie e diz “agora Jack!”, e percebemos que ele está naquele galpão onde Widmore o levou no já citado episódio 11 para experiências magnéticas. Ao mesmo tempo em que Jack aperta o botão da máquina de descarga magnética, na realidade alternativa Faraday aperta o botão da outra máquina, no exato momento da “saída”. E tudo fica branco.
Quando Desmond acorda na Ilha B, ele não tem mais flashes da outra realidade. O status quo foi restaurado. A colossal descarga magnética direcionada para o Fumacê acabou com ele. Os losties se reúnem emocionados. Jack fica na Ilha como protetor, com Hurley e Ben como números 2. O resto vai embora. Uma sucessão de flashbacks rápidos passa na cabeça de Jack, mostrando tudo que aconteceu na Ilha, e ele sorri emocionado. A câmera dá um close no olho dele, totalmente marejado. Então ele fecha o olho. E LOST acaba.

Série "Todo Mundo em uma Ilha"

No final do primeiro episódio da sexta temporada de LOST, na realidade alternativa, a série mostrou a Ilha toda debaixo da água, em um plano impactante e que certamente gerou as mais diversas dúvidas e teorias na cabeça dos fãs. E agora que o seriado foi pra banha, eu sugiro uma brincadeira: cortamos fora esse plano e vemos se isso faz alguma diferença para o todo. Hm. Não faz absolutamente nenhuma, né?

De certa forma, a sensação que tive ao final de LOST foi exatamente essa, de que foi tudo meio gratuito. A série foi desenvolvida de forma descomunal, onde cada pequeno detalhe poderia fazer toda a diferença. Foi isso que uniu um bando de fãs malucos com as mais absurdas e plausíveis teorias. E ok, teria sido ótimo se a “interpretação” de determinados eventos fosse deixada ao léu, para cada um entender do jeito que quiser. Mas eis que chegou aquele tenebroso episódio 15, e LOST mudou bruscamente de direção, se antes o sobrenatural era colocado na trama de uma forma orgânica e quase científica, ali a coisa foi escancarada como se não houvesse amanhã. Todo aquele papo de luzinha é uma solução medíocre, preguiçosa, como se tivesse sido concebida por dois minutos e era isso. Antes citar apenas que há um “coração” da Ilha que precisa se protegido do que realmente mostrar aquela baboseira. Da mesma forma, a trama simplesmente ignorou lacunas gritantes em sua cronologia: por que a Ilha não podia ser destruída? Por que o Fumacinha não podia dar no pé? Por que ele tinha que destruir a Ilha pra ir embora? Importante dizer que não estou cobrando soluções “cientificamente corretas”, apenas respostas que fizessem o espectador realmente acreditar nas motivações das personagens (um simples “Jacob roubou minha humanidade e, assim, jogou em mim uma maldição. Apenas destruindo a Ilha posso me livrar dela e voltar a viver uma vida” solucionaria a questão do Fumacinha, por exemplo).
Já tudo que diz respeito ao reencontro e ligações entre as personagens foi absurdamente comovente. A forma como as vidas se conectavam na realidade paralela, os pequenos e emocionantes flashes toda vez que alguém se lembrava dos eventos, a serenidade de cada um, os sorrisos de alegria, a impressão de que eles estavam REALMENTE felizes ao se reencontrar, tudo isso foi construído de forma exemplar no último episódio, realçado por uma trilha devastadora, que faria até mesmo Materazzi chorar no cantinho. Muitos filmes com grandes orçamentos e grandes atores não alcançam este nível de dramaticidade e beleza (aliás, Matthew Fox complatamente em chamas), e o final com o olho fechando foi de uma sensibilidade aniquiladora.
Entretanto, na minha opinião, LOST não é uma série cujo foco principal são as relações entre as personagens. Tanto que as únicas com quem realmente me envolvi foram Desmond, Charlie e Hurley. Não estava torcendo pra Kate ficar com Jack, ou Sawyer, ou Sayid encontrar a redenção – e lembro que episódios envolvendo a “construção” de personagens como Jin, Sun, Kate e até mesmo Jack (ou seja, flashbacks que não faziam muita diferença na trama principal) foram duramente criticados. E eu pergunto: se o que realmente importava eram as pessoas da história, por que não colocaram aquele conceito de “Luz” mais cedo na história, de forma que pudesse ser melhor absorvido pelos fãs? Será que os produtores imaginavam que, após a “resposta” ser dada (uma resposta bem CHULA, convenhamos), o interesse pelas personagens não seguraria a série até o final?
Dessa forma, o final de LOST foi ao mesmo tempo emocionante e decepcionante. Na verdade, após o criminoso episódio 15 da 6ª temporada, me senti completamente desligado da série – era como se eu estivesse assistindo outra, na qual as respostas para os mistérios e, principalmente, a motivação de tudo que acontecia eram conceitos totalmente vagos, mais preocupados em adequar-se à necessidade do roteiro para chegar a um desfecho do que em soar coerentes com tudo que havia sido feito até então (o ato de fazer com que eles estivesse mortos na realidade paralela me soou como “bem, não temos ideia como resolver isso, então vamos dizer que estão mortos”. Exatamente o tipo de coisa que os produtores haviam dito que não aconteceria). Uma pena. LOST foi memorável, sim. Mas, se tivesse respeitado suas próprias regras, seu último episódio poderia ter sido um exemplo brilhante de uma narrativa ao mesmo tempo surreal e concisa. Porque aquele plano onde o Jack fecha o olho é um final perfeito para a série. Infelizmente, as quatro horas anteriores não fazem jus a ele.

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Temporada 06, Episódios 17 e 18

Final épico e emocionante. Após uma bem produzida retrospectiva mostrando onde está cada personagem (geograficamente e emocionalmente), JACKOB e sua turminha começam a ir em direção à Luz (tipo, literalmente), enquanto Locke CO2 convoca o Desmond e ambos debandam pra ir até a tal da Luz, com seu bichinho de estimação Ben logo atrás. Os dois times se encontram no mesmo caminho, pois estavam indo na direção contrária, ou seja, ninguém sabia onde era a porra da Luz. Cientes de que todos os fãs esperavam um CONFRONTO OLÍMPICO, as duas turmas apenas se provocam levemente e partem pro mesmo lugar. Uma vez lá, Desmond, Jackob e Locke Fumacê entram na caverna, onde o bródá faz RAPEL até a luzinha – que não o transforma em fumaça como fez com o irmão de Jacob porque, bem, porque o roteiro não precisava que isso acontecesse na hora. Daí o Desmond acha um laguinho ali dentro com uma pedra brilhante no meio, vai até lá, tira o O.B. da Ilha e então, naquele que é o maior trocadilho de todos os tempos, o plano do Jackob vai literalmente pelo ralo.
Na realidade alternativa, uma intrincada trama de acontecimentos vai ligando os losties uns aos outros, e é particularmente tocante os pequenos flashbacks que acontecem quando eles acabam relembrando dos acontecimentos (e, de praxe, podemos ver a Claire do início da série, antes de enfiarem uma samambaia na cabeça dela). Ao se descobrirem, as personagens vão se guiando para uma igreja, onde, no início do episódio, o caixão do pai do Jack foi colocado. Mas tudo isso é irrelevante perto do fato de que a Kate usa um vestido minúsculo que deixa à mostra suas coxas DEVASTADORAS.
De volta à Ilha, onde Kate infelizmente veste calças: após Desmond TIRAR O CABAÇO do local, a Ilha toda começa a tremer. Miles e Richard (sim, ele está vivo, Miles o encontrou tirando uma soneca na floresta) seguem pra Ilha B pra explodir o avião, mas convenientemente encontram Lapidus boiando no mar (e na história). Ele os convence de que um avião possui capacidades aéreas e, portanto, podem usá-lo para escapar. Na Ilha A, Jackob e Locke, STOCKE AND TWO SMOKING BARRELS realizam a batalha final de uma das maiores séries de todos os tempos com soquinhos e pontapés de comadres – Locke CO2 logo percebe o erro e esfaqueia Jack, mas Kate, infelizmente sem suas poderosas coxas à mostra, manda bala no Fumacê pelas costas e faz ele bater as botas. Como a tremedeira continua, Jackob diz que vai voltar pra caverna e arrumar tudo. Hurley e Ben ficam com ele, enquanto Kate e Sawyer picam a mula, embora todos saibam que empresas aéreas podem ser mais cruéis do que Ilhas com poderes sobrenaturais. Enfim, cada um na sua. Na caverna, Jackob faz Hurley tomar a água mágica pra se tornar o protetor da Ilha, já que o doutor provavelmente sucumbirá na tentativa de consertar as coisas (lição de moral: nunca tentem consertar alguma coisa, ou vão morrer). Jackob desce, salva o Desmond e coloca o O.B. de volta, normalizando tudo (e a única interpretação possível disso é que o “mal” que tanto se falava que a Ilha protegia era uma descomunal TPM, o que por si só já justifica todas as mortes e crueldades cometidas para proteger o lugar).
Voltamos à realidade alternativa, onde Jack é o último a chegar à igreja. Ao entrar pelos fundos, ele vê o caixão de seu pai, e lembra de toda a tramóia da Ilha – no entanto, o caixão está vazio. Eis que o pai de Jack surge, e diz que está morto, e que o Jack também está morto, e que toda a galera na igreja tá morta, e que a realidade alternativa é tipo um limbo onde todas as personagens precisavam se encontrar para seguir em frente, e aí o espectador fica desejando que ele mesmo estivesse morto pra não ter que ouvir uma PATAQUADA dessas. Daí todo mundo se abraça sorridente e feliz, e o pai do Jack abre uma porta e uma luz preenche o lugar. Então chega Haley Joel Osment e…
Já na Ilha, Lapidus, antes um coadjuvante, põe as asinhas de fora (trocadilho obrigatório) e faz o avião decolar. Enquanto isso Jackob, que apareceu misteriosamente atirado às pedras, volta ao bambuzal onde acordou no primeiro episódio da série e beija o chão ali. Ele ainda presencia a chegada de Vincent, como no primeiro episódio da série, e vê o avião de seus amigos voando pra longe dali, não como no primeiro episódio da série.
E então, em uma rima visual perfeita com o início de tudo, a câmera dá um close no olho de Jackob. Ele fecha esse olho. E LOST acaba de vez.
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Acabou a série, mas o auê continua. Não percam minhas impiedosas considerações finais a respeito de tudo na quarta-feira. E, semana que vem, pra fechar, publicarei no blog a forma como LOST devia ter terminado, exibindo tramas e soluções que farão as originais soarem como esquetes do Zorra Total.

Série "Todo Mundo em uma Ilha"

Temporada 06, Episódio 16

Capítulo intenso. Começou com Jack e os outros saindo da praia pra ir até o fundo do poço, mas calma, literalmente, pois Sayid havia dito que Desmond e a Samara de O Chamado estavam lá. Enquanto isso, Ben, Miles e Richard vão até a casa de Ben na vila dos Outros procurar explosivos e NESCAU, mas são surpreendidos por Widmore e a mina que é braço direito dele lá que eu não lembro o nome e que nem interessa, porque ela morre no final. Enfim, quando eles vêem que o Locke VULCÃO ISLANDÊS tá chegando perto, tomam decisões diferentes: Widmore e a mulher se escondem literalmente atrás do armário, em uma passagem secreta; Ben dá de ombros; Richard se prontifica a conversar com um monte de fumaça, mostrando que o Alzheimer tá pegando afu – não à toa, Richard é o primeiro a bater as botas. Então Locke CO2 aparece em sua forma humana e Ben dedura onde Widmore está escondido. O Fumacê vai lá e corta a garganta da mina com uma faca (viu? Eu disse que ela morria) como se estivesse em um episódio de 24h, e pergunta pro Widmore o que RAIOS ele está fazendo naquela Ilha, ameaçando matar a filha do velhote caso ele não colabore. Antes do Widmore FOFOCAR todo o segredinho, entretanto, Ben dá um tiro nele (vale lembrar aqui que Widmore mandou pra Ilha o barco cheio de MILICOS que mataram a filha do Ben), dizendo com a amargura de um torcedor do Fluminense “Ele não ganha a chance de salvar a filha dele”.

Certo. Realidade alternativa, então. Descobrimos que Jack tem um recital de piano do seu filho para ir à noite, porque o guri não nasceu homem suficiente pra jogar futebol. Desmond vai novamente à escola onde Ben e Locke ensinam e TOCA O TERROR pra cima do Linus, que acaba tendo flashes da outra realidade. Isso faz com que Locke repense sua decisão sobre a cirurgia e procure Jack, porque assim é misterioso. Agora vamos ver se eu consigo ser claro: Desmond se entrega à polícia como o CARMAGEDDON que atropelou Locke, e é preso por Sawyer em uma cela com Sayid e Kate gata; Sawyer, ao que tudo indica, vai a um concerto de música com Miles; Jack vai ao concerto de música do seu filho; quando estavam sendo transferidos para a prisão, Desmond, Sayid e Kate gata são libertados por Ana Lúcia, que dirigia o furgão e havia sido comprada com dinheiro fornecido por Hurley; Desmond então orienta a todos que vão a um concerto à noite, onde provavelmente todas as personagens se encontrarão na realidade alternativa. Basicamente, no CONCERTO tentarão CONSERTAR as coisas (sacaram?).
De volta à Ilha, então. Enquanto os losties se dirigem ao tal poço, Jacob aparece e convida todo mundo pra sentar em volta de uma fogueira, discutir os mistérios da série e contar histórias de terror com uma lanterna iluminando o rosto. Sim, todos podem ver o falecido Jacob. Não, não há explicação de como isso acontece. O juca Jacob então diz que levou todos à Ilha porque transformou seu irmão em um cano de descarga ambulante, blá blá blá, fala que tem uma Luz no meio da Ilha e diz que um deles deverá ser o responsável por protegê-la. Jack EJACULAÇÃO PRECOCE, claro, se prontifica. Jacob leva ele até um fio de água, benze a dita-cuja e dá pra Jack beber, tornando-o oficialmente o novo guardião e fazendo com que o doutor ganhe automaticamente a melhor vaga no estacionamento da Ilha. E tipo, é isso. Durante anos os caras comeram o pão que os produtores amassaram e, de frente com alguém que possui todas as respostas, ninguém sequer pergunta que PORRA é aquela Ilha, que PORRA é aquele monstro de fumaça e que PORRA é essa de transformar um seriado interessante em um CONTO DA CAROCHINHA nos últimos capítulos.
Em algum lugar no meio da floresta, Locke Fumacê e Ben (que se prontificou a ajudar o vilão a matar pessoas em troca de ficar com a Ilha) chegam até o poço, mas, para surpresa geral, Desmond não está lá, o que provavelmente é a maior reviravolta da história do mundo desde que o Botafogo perdeu uma partida decisiva. Só que o Locke CO2 diz que isso é bom pra ele. Que Widmore definiu Desmond como um mecanismo de defesa (ANTIVÍRUS, para usar um vocabulário jovem) caso o Fumacê aprontasse todas pra cima dos candidatos do Jacob e os levasse para o mundo de Ghost. E então, com um olhar ameaçador no rosto envolto por sombras, Locke Eyjafjallajokull diz que Desmond o ajudará a fazer aquilo que ele nunca conseguiu fazer:
Destruir a Ilha.
(domingo é o episódio final. Segunda estarei postando um resumão de tudo. Fiquem atentos)

Série "Todo Mundo em uma Ilha"

Temporada 06, Episódio 15

Pior episódio de LOST de todos os tempos. Começa com uma mina sobrevivendo a um naufrágio e chegando na Ilha. Assim que percebemos que ela está grávida, surge uma tia mais velha, que ajuda a moçoila. A grávida então faz várias perguntas sobre a Ilha, mas a outra responde com um “qualquer pergunta que você me fizer levará a uma outra”, pois assim os roteiristas não precisam pensar respostas e podem assistir a 24H. Enfim, ela logo dá a luz a um filho, diz que o nome dele é Jacob, e depois, para surpresa geral, dá a luz a outro filho. Então a tia mais velha mata ela a pedradas, porque isso é misterioso.

Corta para alguns anos mais tarde. Jacob e o Fumacê (o nome dele não é revelado, porque isso é misterioso) já adolescentes encontram um jogo de xadrez chinfrim na praia, uma metáfora nada sutil do jogo que eles fazem com os losties, e também do jogo que os produtores fazem com os fãs. Nesse INTERIM, a tia velha, que assumiu papel de mãe dos bróders, fala que não há nada no mundo além da Ilha, e diz que eles não precisam se preocupar em morrer, o que já explica a imortalidade dos caras – afinal, quando mãe fala TÁ FALADO (ela também explica que um não pode ferir o outro, porque… bem, porque sim). Depois ela leva os guris pro VALE ENCANTADO, onde tem uma caverna com uma luz que é, pasmem, o CORAÇÃO da Ilha. Sem explicar PATAVINA nenhuma sobre nada disso, a tia velha só diz que os dois vão ter que proteger o lugar no futuro, e sai de cantinho.
Um tempo depois, enquanto Jacob e o Fumacê Emo perambulam pela floresta, acabam topando com uma turminha da pesada, e voltam correndo pra tia velha. Ela diz que as pessoas que eles viram são homens maus, que não é pra trocar figurinha com os caras e tudo mais, mas o Fumacê Emo viu muita Malhação e, dando uma de rebelde, pegou suas trouxas e picou a mula pra se juntar com os caras. Jacob ficou com ela porque ele ouve Coldplay e não quer grandes emoções na vida. Anos mais tarde, numa visita de Jacob, Fumacê Emo fala que os homens realmente são corinthianos e que não dá pra confiar neles, mas diz que a inteligência dos caras vai ajudá-lo a vazar. E explica: eles ficaram cavocando buracos Ilha afora até achar um onde tem a tal Luz do Vale Encantado, e vão botar ali uma roda, que fará o truque de tirar a galera da Ilha. Não entenderam? Ninguém entendeu, mas aparentemente, para os produtores, o mistério da roda que gira e faz todo mundo viajar no tempo está explicado.
Quando Jacob fala os planos de seu irmão pra tia velha, ela, totalmente embriagada de DEUS EX-MACHINA, dá um SAFANÃO no Fumacê que o deixa desacordado, enche de terra o poço que eles cavaram quase até a Luz, mata a turma com quem o Fumacê andava, põe fogo nas casas e convoca Ronaldinho Gaúcho para a seleção brasileira. Depois leva o Jacob até o Vale Encantado de novo, diz que ele será o protetor da Luz, dá pro sujeito um gole de um líquido que fará com que ele “aceite o papel de protetor”, ri das explicações NEFANDAS inventadas pelos roteiristas e avisa que não é pro Jacob entrar na caverna cheia de Luz, porque isso seria “pior que o inferno”.
Quando Fumacê acorda e vê tudo que a tia velha fez deusexmachinamente, fica putaço da cara e corta relações com ela – tipo, literalmente, enfiando uma espada nas costas da velhota. Jacob chega, vê a cena, desce o cacete no seu irmão, pega ele pela orelha e atira o cara na caverna de Luz, exatamente onde a mulher havia dito que não era pra ninguém entrar apenas algumas horas antes. Fumacê some num efeito especial tosco, e de repente sai de lá o monstro de fumaça em carne e CO2, ignorando completamente a política de não fumar em locais públicos. Jacob acaba encontrando o corpo de seu irmão e põe deitado ao lado do da tia velha, no pequeno acampamento deles, mostrando que, oh, os esqueletos de “Adão e Eva” encontrados pelos losties na primeira temporada são dos dois. E termina com Jacob falando “Adeus, Irmão. Adeus”.
Agora sabemos que a Ilha possui uma Luz mágica, que Jacob tem poderes mágicos porque uma senhora assim o quis, que o monstro de fumaça na verdade é uma REGURGITAÇÃO da caverna de Luz, e que o final de LOST fatalmente derrubará os butiãs do bolso de todo mundo.

Série "Todo Mundo em uma Ilha"

Temporada 06, Episódio 14

Após uma semana de ausência, LOST voltou dramático, DEBILITADOR – recomendo tirarem as crianças da sala antes de começarem a ler o texto. Que começa com Jack acordando na Ilha Hidra (onde estão Widmore, os losties, enfim, toda a patota) ao lado de Sayid e Locke Fumacê. Descobre que a galera toda lá foi presa pelo Widmore, e então eles arquitetam um elaborado plano de resgate: Sayid desliga a energia, Locke vira aquele CHUVISCO DE TV SEM SINAL e toca o terror nos guardas e Jack, sendo um cirurgião, fica incumbido de inserir a chave corretamente na fechadura e girar. Ele faz isso, e todo mundo liga o sebo nas canelas, e eles saem serelepemente floresta afora enquanto seu lobo não vem. Enquanto isso, Locke CO2 chega no avião e manda os guardas de encontro a Elvis, dá uma vasculhada no bagulho e acha uma bomba plantada lá pelo velhinho Widmore. Após desarmá-la, o Fumacê simplesmente a guarda na mochila, o que não é tão estranho, considerando que, na condição de um estado gasoso da matéria, ele sequer precisa de mochila. Enfim. No momento em que os losties chegam lá, ele explica a situação, diz que o avião não é seguro, fala alguma coisa sobre um tal de Osama e toca a matilha na direção do submarino.

Na realidade alternativa, Jack, curioso e interessado em fofocas como sempre, investiga a vida de seu paciente, o Locke não-fumaça, e aos poucos os dois vão se conhecendo, e fatalmente um deles colocará estrelinha de fã do outro no Orkut. Mas Jack também encontra de novo Claire, e descobre que ela estava no vôo, assim como Bernard (dentista que ele foi consultar na investigação Lockiana), e começa a ficar com a pulga atrás da orelha nessa história toda. Jack ainda oferece a Locke uma cirurgia pra arrumar a espinha dele, mas Locke recusa, porque isso o torna uma personagem PROFUNDA e MISTERIOSA.
De volta à Ilha, a gandaia corre solta quando os losties (vamos contar: Jack, Sawyer, Kate, Sayid, Claire, Jin, Sun, Hurley, Lapidus e Locke SMOKE ON THE WATER) chegam até o submarino, e metade dessa galera se manda pra lá e domina a situação com facilidade. Antes do resto se juntar a eles, Locke Fumacê veste sua mochila em Jack, que não percebe que isso não faz SENTIDO NENHUM e é obviamente uma maracutaia. Então chega um pelotão Widmoriano, tem um tiroteio mal coreografado, Kate é penetrada (calma) por uma bala, Jack literalmente dá um caldinho no Locke CO2 jogando ele pra água, e a turma invade de vez o submarino, deixando apenas Locke e Claire de fora.
Ao ver isso, Claire entra na TPM absoluta e sai chilicando, mas Locke Fumacê segura ela e diz misteriosamente “você não queria estar naquele submarino”. Dentro do submergível, Jack abre a mochila e vê a bomba com o timer acionado. Entra uma trilha tensa. Eles confabulam por alguns segundos sobre a decisão a ser tomada, até que Sayid informa a Jack que Desmond está em um poço na Ilha e que o doutor precisará dele. Por que Sayid faz isso? Porque logo depois o iraquiano pega a bomba e PICA A MULA pro outro lado do submarino, onde ela explode, e a viagem deles vai literalmente por água abaixo. Como a água invade alucinadamente o local, Hurley tira rapidinho a Kate de lá. Jack e Sawyer ficam pra ajudar Jin a soltar Sun, que ficou presa em uma estrutura feita de metal e drama. Mas logo Sawyer bate a cabeça e desmaia, e o doutor tira ele de lá, deixando os dois orientais sozinhos. Sun grita pra Jin ir embora, mas ele emula Leonardo DiCaprio em Titanic e diz que não vai deixá-la. Então a água invade de vez.
Chegando à praia, os quatro sobreviventes (Jack, Sawyer, Kate e Hurley) choram a morte dos companheiros (Lapidus, Sayid, Jin e Sun). Ainda lá no cais, Claire pergunta a Locke Fumacê se todos morreram. Ele diz que ainda não, e sai com cara de mal, e olha hipnótico, e a australiana pergunta onde ele vai, e ele fala com entonação maléfica “terminar o que comecei”, e daí simplesmente acaba o episódio.

Série "Todo Mundo em uma Ilha"

Essa semana não teve episódio de LOST (e, devido a esse fato, muitos fãs da série fatalmente tiveram uma semana com duas segundas-feiras), o que obviamente impossibilita a postagem de um resumo dos eventos aqui – eu até pensei em inventar alguns, só de avacalhação mesmo, mas eram muito grandes as chances de eu acertar o final da série e ser linchado depois.

Então, a solução foi citar aqui alguns dos vícios narrativos do seriado, coisas que ocorrem com frequência, e que, bem, e que simplesmente são mais inexplicáveis do que alguns mistérios da Ilha:
O suspense aguarda atrás da mata
Uma personagem caminha. Está escuro. Ela tem apenas uma tocha na mão, tirada de algum lugar secreto onde fazem tochas infinitas. Então se ouve um movimento. A mata começa a mexer. E então, de repente, surge a pessoa mais improvável de todas, uma que sequer estava na Ilha e, de preferência, tenha sido morta oito vezes e enterrada doze.
O grande problema é o seguinte: qualquer pessoa que tenha assistido a pelo menos três episódios do seriado saberá quem está atrás da moita (sem pensamentos impuros, por favor). É apenas uma questão de fazer x = pe – pp + tc, onde “pe” é “pessoa evento” (quem a câmera acompanha na cena), “pp” é “pessoa provável” (a pessoa que mais faria sentido estar ali) e “tc” é “tensão da cena” (o nível de suspense que os produtores querem botar pra fazer um final inesperado). Resumindo: espere o inesperado e o suspense da cena terá a intensidade de um mosquito raquítico.
Porque sim
Alguém, digamos, Kate, caminha pela mata, quando surge Locke CO2. Ele diz que precisa da ajuda dela para seguir uma trilha, fazer uma fogueira, lavar, passar, cozinhar e dar banho no Vincent. Ela faz cara de capitão Nascimento e pergunta por quê deve fazer isso. E o Locke Fumacê responde “porque a Ilha ainda não terminou com você”.
Este é, provavelmente, o argumento mais utilizado para convencer alguém – e quando não dá certo, resulta em uma frase de efeito cuja construção surge apenas da troca de ordem dos elementos, como “Ah é? Mas eu já terminei com a Ilha”, e aposto que vocês podem imaginar o Sawyer falando isso. Tudo bem que é pra manter o mistério, mas pô, que tal um pouco de discussão lógica? De uma troca de diálogos rica e informativa para ambas as partes? De botar a BOCA NO TROMBONE?
Meu nome é “eu não sei responder diretamente”
Então Jack, o mocinho, encontra o Locke Gás Carbônico e chama ele no cantinho pra prosear. É uma cena tensa. Algo importante está para ser revelado. Jack pergunta a Locke SMOKE ON THE WATER o que diabos ele é. Locke Fumacê pára, pensa, caminha, e calmamente começa a resposta com um “Você sabe como as árvores nascem, Jack?”.
PORRA, Locke! É claro que ele sabe, ele tem diploma! E mesmo se não soubesse, pra que CHULEAR tanto antes de dar uma simples resposta? Locke, Jacob, Richard, Faraday, Ben e Juliet devem ter feito uma aula de conversação na ESCOLA DE MULHERES FAZIDAS. Quer escrever um roteiro de LOST? Então aprenda a iniciar todos os diálogos importantes com um verbete da Wikipédia. Francamente.