Top 5 – Videoclipes

1 – Do The Evolution – Pearl Jam

E eis que finalmente chegamos à genialidade absoluta. Tudo começa em um disco lançado há dez anos, em uma caixinha bonita pacas, passando meio desapercebido e tal. Mas o fato é que Yield é a grande obra-prima da década passada. O quinto disco de estúdio do Pearl Jam tem grandes canções, riffs alcoolizantes, melodias ridiculamente lindas, brincadeiras no encarte… Ou seja, quarenta e poucos minutos de pura inspiração. E a canção número sete é essa que vocês vão ver abaixo, uma música poderosa, que pega o cara pelo pulso e joga no olho do furacão chamado planeta Terra.

Captando o clima da obra de forma assustadoramente perfeita, o diretor/quadrinista Todd McFarlane jogou às favas qualquer crença que tinha no ser humano e fez o vídeo definitivo. Questionador, divertido, engraçado, pertinente, épico, inspirado, forte, irônico, tenso. Existem tantas brincadeiras e rimas visuais que fica impossível ilustrar aqui a monstruosa criatividade da coisa toda. Sério. Vale a pena ver, e rever, e ver mais uma vez, e aí sim o cara começa a pegar pequenas sacadas, que tornam tudo ainda melhor. Do The Evolution é uma aula de… de… é uma aula de QUALQUER coisa. Como falei, eis que chegamos à genialidade absoluta. O primeiro lugar. O melhor.

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Top 5 – Videoclipes

2 – The Happiest Days of Our Lives / Another Brick in the Wall Part II – Pink Floyd

Normalmente, existem duas formas de uma pessoa chegar até Pink Floyd: Wish You Were Here, uma bela canção sobre saudade, feita para o ex-vocalista Syd Barret e que constantemente é tomada como uma balada romântica; e, principalmente, a versão original daquele canto das torcidas gremista e colorada que tem a proeza de rimar “cu” com “cu”.

Another Brick in the Wall Part II é, sem dúvida, uma das grandes canções do século. Deste século, do século passado, e de todos os séculos possíveis e imagináveis. Uma música que ridiculariza a escola, o ensino e a instituição robotizada que isso tudo se tornou. É aí que entra o DESCOMUNAL videoclipe.

O que acontece com aquele garoto do vídeo, sonhador, que faz poemas na aula? É reprimido pelo sistema. Tem suas idéias cortadas e jogadas no lixo. “Inglaterra dos anos 60”, dirão alguns. Será mesmo? Será que, atualmente, as crianças não são cada vez mais formatadas? A enorme quantidade de informação disponível, quando bem manipulada, nos dá a falsa impressão de que nós fizemos uma escolha. Digo, a frase “estude, faça faculdade e arranje um emprego” até que combina com o clipe, certo?

Por isso esses 6 minutos audiovisuais são tão geniais. Quer imagem melhor do que as crianças, sem rosto, entrando numa máquina e saindo de lá sentadas nas classes? A fotografia escura, num clima quase de suspense? A revolução, libertadora, salvadora, que acontece apenas na cabeça de um dos alunos, porque o resto já assimilou inevitavelmente a “educação”?

Happiest Days of Our Lives / Another Brick in the Wall Part II é uma obra universal. Atual ainda. E por isso merece este honroso segundo lugar.

Top 5 – Videoclipes

3 – Coffee and TV – Blur
Na minha humilde opinião, a definição exata pra banda Blur é a seguinte: Fifa 98. Indescritível como aquele grito de “woo-hoo” fez parte da minha vida, assim como da vida de várias pessoas que se deleitavam com o melhor simulador futebolístico de todos os tempos. Fora isso, não me chamava muito a atenção. Até porque os caras eram da inglaterra, e de lá já tinha o Oasis, que ironicamente ficou atrás do Blur nesse Top 5.

Aí veio o clipe da caixinha de leite. E na boa, não tem como ficar indiferente – inclusive, peço a todos que assistam ao vídeo de pé, tamanha a genialidade da coisa. É sobre uma caixinha de leite viva, que dança e se apaixona por uma caixinha de leite rosa! Tipo de história que só poderia ser bolada por uma criança, ou por alguém com muita imaginação, ou por alguém muito bebado. Façam assim, ó: peguem um dia muito ruim. Muito ruim mesmo. Uma segunda-feira estressante, com muito trabalho, trânsito, time levando quatro a zero do vasco, sei lá. Peguem um dia desses e, ao final da note, assistam ao clipe de Coffee and TV. Se vocês não forem dormir sorrindo, é porque são desprovidos de coração.

Top 5 – Videoclipes

4 – Everlong – Foo Fighters
O sucesso de Everlong foi a prova de que o sequel do Nirvana tinha vida própria. Contando com o carisma gigantesco e absolutamente insano do vocalista Dave Ghrol, a banda foi encontrando seu espaço – na real, o Foo Fighters é que nem a Copa do Brasil: até quem não acha grande coisa, gosta. Uma banda no mínimo simpática. E ninguém me tira da cabeça que Dave Ghrol, com seus berros e atuação descomunalmente raçuda no palco, daria um bom volante.

O vídeo de Everlong foi dirigido pelo francês Michel Gondry. Apenas isso é o suficiente para que alguns fãs de cinema já gostem do troço, mesmo que nunca tenham assistido. Mas a real é que a transição da música pra telinha ficou fodona: com uma trama completamente nonsense (dois caras do mau vão em direção a uma casa; lá, um casal dorme; o cara sonha com uma festa; a moça sonha que está sendo atacada; pernas viram galhos de árvores), o diretor utiliza recursos visuais pertinentes para interligar os sonhos. E também a realidade. Espera, o quê? Não to entendendo mais nada. Ah, deixa pra lá, o legal mesmo é quando a cama vira uma bateria…

Acreditem se quiserem, não achei nenhum vídeo que fosse promíscuo e pudesse ser colocado em qualquer blog. Então fiquem com o link direto aí pro VocêTuba.

Top 5 – Videoclipes

Já que a Televisão de Música não passa mais videoclipes (ou resolveu voltar a passar? Nem sei, faz aproximadamente uma adolescência que não assisto MTV), resolvi homenagear os esforços hercúleos daqueles artistas que fizeram videoclipes realmente espetaculares. E, ao contrário da moda atual, essa lista não será pautada por critérios como “retrô”, “cult”, “indie”, “tosco” nem nada do gênero. Vai ser uma lista afudezaça. Um Top 5 que será exposto aqui diariamente, em ordem decrescente, pra criar mais suspense do que um filme do Shyamalan. E pra começar, ah, pra começar, tem que ser uma banda fora-de-série, né:

5 – Oasis – The Importance of Being Idle

Ninguém gosta dos irmãos Gallaghers porque eles dizem coisas estapafúrdias frente às câmeras e torcem pro Manchester City (torcer pro time onde o Elano joga? Nenhum sentido!). Mas podem chorar, espernear, botar gravatinhas e imitar os Stooges, que não vai fazer diferença: Oasis é a melhor banda surgida na inglaterra nos últimos vinte anos. A música deles é inspirada, criativa, popular e poderosa ao mesmo tempo. E as opiniões deles são inspiradas, criativas, populares e poderosas ao mesmo tempo. E engraçadas.

The Importance of Being Idle é uma daquelas canções que Noel lapidou até virar um diamante. A importância de ser indiferente. Pois toda a atmosfera de “se tu te matar trabalhando, jamais vai viver” foi captada com perfeição pelo videoclipe, dirigido por Dawn Shadforth. Com uma atuação brilhante de Rhys Ifans, o vídeo é irônico e divertido, sutil e forte. O visual monocromático lembra alguns filmes dos anos 40/50, efeito que é reforçado pelo figurino (cartolas, bastões) e pelas coreografias. E os planos levemente mais longos do que a geração MTVística está acostumada conferem à produção um ar elegante, sofisticado.

Elegância. Somente o Oasis mesmo pra fazer uma música sobre preguiça soar elegante, pertinente e, acima de tudo, o quinto lugar na lista videoclíptica mais cobiçada do planeta.