Outro furo do fajuto Ranking da CBF

Ah! Não dá pra crer. Não bastasse a CBF ter unificado os títulos brasileiros pré 1971 aos pós 1971 com dois anos duplicados (o de 1967 e o de 1968), resolveram dar uma mãozinha extra para aqueles clubes que ganharam as Taças Brasil no Ranking da CBF.

Eu sei que muita gente não tá nem aí para o Ranking da CBF, mesmo porque estas entidades do nosso futebol afirmam muitas barbaridades por aí ( lembro de um post teu André, abominando os rankings ), mas acontece que, por exemplo e por regra, a CBF utiliza o Ranking da CBF para selecionar clubes para a Copa do Brasil. Pois é, ainda não sei como será a regra para 2013, que promete ter um campeonato bem mais longo, mas até este ano os 10 primeiros colocados do Ranking da CBF tiveram suas vagas garantidas na Copa do Brasil somente por este mérito, desde que não estivessem na Copa Libertadores.

E não é que eu acabei de descobrir que SOMENTE os Campeões e Vice-Campeões das Taças Brasil e dos tais Robertões pré 1971 levaram pontos no Ranking da CBF, e mais, 60 e 59 pontos respectivamente, ou seja, os mesmos de um Campeão e Vice-Campeão Brasileiro atual. 

Simples: Isso quer dizer que o 3º colocado de uma Taça Brasil qualquer (que pode ser o seu time aí) deveria ter, pela lógica que me ensinaram no Ensino Fundamental, 58 pontos a mais no Ranking da CBF e os mesmos foram, sem alarde nenhum, surrupiados!

Pensa:
Naquela época, as Taças Brasil mantinham a fórmula do “mata-mata”, e os clubes dos maiores centros entravam só nas fases finais. Mas não entravam todos, só os campões estaduais e uns 2 ou 3 convidados “especiais”. Isso quer dizer que muito time bom não entrava porque não tinha mais vaga disponível por estado. Muito bem, se você torce pra um time que não fica em São Paulo, nem no Rio de Janeiro, mas for um time de médio para grande, saiba que muito provavelmente ele jogou mais jogos que o campeão de uma mesma Taça Brasil, tirou mais times pelo caminho, ganhou mais jogos e, se por acaso perdeu uma Semi-Final pro Santos ( que levou 5 taças seguidas, mas entrava quase sempre na Semi Final mesmo ) no saldo de gols, o seu time não fez nenhum ponto no Ranking e o Santos brigou nas finais para levar 59 ou 60 pontos naquele mesmo torneio…

E daí?
Bom, dê uma olhada na diferença de pontos dos times no Ranking da CBF e imagina que o seu time tivesse uns 300 pontos a mais no caso da CBF “se tocar” de dar pontos também para o 3º, o 4º, o 5º colocado das Taças Brasil, e assim por diante, seguindo a pontuação pra baixo, com 58, 57, 56 pontos e assim por diante.

Será que o seu time teria tido a chance de jogar a última Copa do Brasil e não o teve por causa disso? E, quem sabe, ganho? E, quem sabe, poderia ter uma chance ano que vem? O meu time, eu tenho certeza, estaria bem melhor colocado.

Anúncios

Eu sinto falta das lagartixas

Estamos na metade de agosto e Porto Alegre padece sob um calor demoníaco de trinta e tantos graus, o que, segundo estudos científicos, é mais ou menos a temperatura na coroa do sol. Mais uma subversão do status quo que indica o inevitável fim do mundo em 2012, anunciado pela vinda dos quatro cavaleiros do apocalipse, ou, como podem ser chamados, “os quatro C’s” (Chelsea, City, Corinthians e Calor). O pior, entretanto, não é o calor PER SE, mas sim os REVESES que chegam de carona: suor oceânico, e, claro, os inevitáveis mosquitos.
O calor é uma época propícia para o surgimento de mosquitos, porque o calor é uma coisa do diabo e os mosquitos também, então eles se unem nessa grande Liga da Justiça de vicissitudes para assolar o ar à minha volta. E, como todos sabem, é impossível se livrar dos mosquitos. Eles são tipo uma mistura de Neo com John McLane, desviando-se das investidas ou simplesmente ignorando-as e sobrevivendo por puros COLHÕES e derrubando helicópteros com carros (referência obrigatória), além de multiplicarem-se feito academias. Não se pode vencê-los, não se pode fugir deles. A única coisa que dá pra fazer é tentar afastá-los com a mão quando eles se aproximam durante a madrugada, mas as chances de você acertar o seu ouvido são muito grandes.
Vejam bem, a grande questão dos mosquitos neste calor fora de época é que estamos sem as nossas defesas naturais contra eles, as lagartixas. Que, por algum motivo darwinista, nos deixaram abandonados à própria sorte. E agora, como importar uma lagartixa me parece muito fora de orçamento graças aos 50% de impostos, só há um Deus em quem podemos depositar nossas esperanças de uma confortável noite de sono: Caladryl.

pensamentos modernos – a epidemia dos carros

entendo toda essa preocupação e terrorismo que a imprensa anda fazendo com a gripe a, mas acredito que essa abordagem acabou desviando o foco de outra epidemia: a epidemia de carros. em qualquer lugar de qualquer cidade que o cara vá, encontra sempre uma manada dessas caixas de metal com design atraente, pilotadas pelo que deve ser a mais pura liberação do id em forma corpórea. são uma tradução motorizada para uma enorme gama de sentimentos humanos, como pressa e baixa auto-estima e frustração e irritação, entre outras das vicissitudes mais básicas da humanidade. uma vez dentro dentro do veículo, o ser humano é terraplanado por alguma força mágica que o deixa incapaz de distinguir entre verde e vermelho, impaciente, relativiza o tempo de tal forma que qualquer coisa abaixo de sessenta por hora é devagar, perde completamente a noção de “mundo exterior”. a hora do rush é praticamente uma seita cuja missão na terra é ocupar todos os espaços disponíveis nas ruas, e, por que não?, nas calçadas. a selvageria rosnada em carcaças de 30 mil reais, com entrada e todas as vezes sem juros. do alto dos seus bancos de pele de animal sintética, as pessoas acreditam que estão deixando os mendigos e os marginais e o trabalho e as mulheres lindas que os rejeitam e as perguntas complicadas e os problemas de saúde e o mundo para trás, presos nas sinaleiras que fecham no último minuto, despistados pela fumaça do canos de escapamento. mas para dar um passo à frente você precisa dar um passo à frente, amigo, não acelerar um passo à frente. parado na esquina de um cruzamento movimentado, com medo de atravessar por duvidar fortemente da aceitação das regras por parte dos motoristas, eu sou um dos que vê você passar o sinal vermelho e penso, assustado, “para encurtar as distâncias do mundo é preciso encurtar também a minha visão sobre ele?”.

A seleção brasileira das Olimpíadas

É 17 de julho de 1994, um domingo. Em algum momento da tarde, Roberto Baggio, o craque, o melhor do mundo, o cara com o rabo de cavalo esquisito (que George Lucas copiaria anos mais tarde na nova trilogia de Star Wars), recebe a bola um pouco à frente da intermediária, vira e desfere um chute firme contra o gol. A um continente de distância, eu, a inocência de apenas 10 anos latejando no coração, senti meu estômago realizar uma sequência de movimentos que certamente lhe dariam o ouro em alguma competição olímpica de ginástica.
Como vocês com certeza sabem, o chute foi facilmente defendido por Taffarel, que espalmou a redonda para escanteio. Mas, se há algo que não esqueço, é a tensão daquela tarde. O Brasil precisava vencer, seria trágico se não o fizesse. Apesar do barulho da torcida, da televisão, da família em volta gritando, na minha cabeça aqueles foram momentos de puro silêncio, quebrado apenas por algumas notas esparsas de violão, como em um duelo de faroeste. Tensão essa que foi dilacerada por todos aqueles centímetros que separaram a cobrança do Baggio do gol, desencadeando um efeito dominó de gritos, comemorações e voltas de carro pelas ruas com bandeirinha na janela.
De lá pra cá, minha relação com a seleção brasileira de futebol foi se deteriorando até chegar ao ódio extremo e absoluto com aquela seleção ANTICRISTO de 2010, comandada justamente pelo capitão do tetracampeonato, mas que, enquanto técnico, se mostrou um ótimo amante do fracasso. E não sei dizer exatamente o porque disso: talvez seja o peso da velhice. Talvez porque a seleção se tornou pura vitrine, talvez porque a CBF tem passe livre em buffet de MARACUTAIAS, talvez porque os jogadores prefiram ficar pensando em novas comemorações do que se entregar para a equipe brasileira. Talvez por tudo isso junto. Assim, não é apenas uma questão de não torcer pelo Brasil: eu torço CONTRA a seleção brasileira de futebol em 90% das vezes.
Mas aquele sentimento antigo, lá de 94, foi resgatado recentemente. Não pelos mauricinhos do futebol, porta-vozes dos cortes de cabelo ruins, mas sim pelas talentosas, dedicadas e coxudas gurias da equipe de vôlei de quadra. Que fez, contra a Rússia, a partida mais sensacional do ano até aqui (em qualquer esporte). Que explodia de alegria a cada ponto, que ficava nervosa antes dos momentos decisivos, que entrava em quadra disposta a parir um continente para poder vencer. Esse tipo de coisa não se compra. Diversas empresas pararam para ver a já citada partida contra a Rússia. Pessoas se abraçaram ao final. A seleção de vôlei entregou à torcida não uma vitória, mas um sentimento.
Fico lembrando da imprensa brasileira tirando sarro do Beckham, em 2006, dizendo que (após a eliminação da Inglaterra para Portugal, nas quartas-de-final) “Felipão fez Beckham chorar”. Ora, não é justamente isso que falta para o futebol brasileiro? Essa entrega sem hesitação, essa paixão absoluta? Essa característica meio indefinível, mas ainda assim tão clara de se perceber? A CBF e seus técnicos e seus jogadores a dispensaram sem pensar duas vezes, preferindo dar mais atenção às transações milionárias, aos amistosos caça-níqueis, ao design das camisetas, aos moicanos e às comemorações ridículas com dedo na boca.
Enquanto isso, a equipe feminina de vôlei se jogou em quadra (literal e metaforicamente), disputando todos os pontos como se fossem o último antes da medalha. Houve decepção no início, sim, mas nunca resignação. O resultado foi um time avassalador, que reunia técnica e paixão como poucos e saía de quadra exaurido, sem nada mais a doar. O futebol pode ser o melhor esporte do mundo, mas, em 2012, o mundo trocou os pés pelas mãos. Pois nem a medalha de ouro é o suficiente para representar tudo que essas moças jovens, saudáveis, altas, baixas e apaixonadas fizeram.

MacGyver não morreu

E, como os “mercenários” que ressurgem das cinzas, o herói das manhãs dos finais de semana da Globo voltou para ganhar um troco em função de uma fama que já estava bem empoieirada no fundo do armário.

Quem “passa o pano nessa fita VHS” é a Mercedez Bens, para lançar o seu novo Citan. Serão 3 vídeos com MacGyver nos dias de hoje, já longe dos bandidos, que vão ao ar em setembro.

Critico esse tipo de coisa, mas gosto de lembrar desses caras que fizeram parte da minha infância, fazer o quê! Cada um ganha a vida como pode e outros, como eu, acabam comprando a idéia colocando ela na roda…

Leia a reportagem completa aqui.

Se você não sabe quem é MacGyver, dá uma olhada na abertura do seriado abaixo:

"Involução"

A RBSTV começou no ano passado com uma musiquinha chata que só o pessoal da própria RBS cantava, ela era assim: “Pra fazer a TV que você, a gente faz muita coisa que você não vê…”… acho que isso acabou pegando mal porque há muitos anos as pessoas desconfiam que a RBS possa estar fazendo coisas não muito corretas para manter a sua audiência e a opinião dos gaúchos dentro de um certo “padrão interessante”. Eu tenho lá minhas desconfianças, mas nada a provar… e a gente realmente não vê o que fazem.

Acho que lá no início desse ano, um cara que se acha muito esperto do marketing deve ter rompido sala da diretoria a dentro e dito: “Vamos mostrar pras pessoas que o que a gente quis dizer era que nós trabalhamos duro para mostrar.. as pessoas.. para as pessoas. Oh!!… Então a gente muda o refrão pra “.. RBSTV, a gente faz pra você!”. Acho que os diretores deram pulos de alegria e toparam na hora, porque isso estava até agora a pouco passando direto na TV.

Daí, eu desconfio, que um estagiário recém promovido a colaborador percebeu que as pessoas ainda não estavam se sentindo parte daquilo e deve ter falado: “Pessoal, mesmo que a gente diga que faz o nosso trabalho mostrando as pessoas, elas ainda se sentem lá atrás da tela, lá fora, entendem? Elas não se sentem aqui, parte da nossa empresa, o que é a tendencia mundial, o que estamos buscando, sacam?!? Eu tive uma idéia brilhante – que ele na verdade ouviu vagamente em alguma cadeira da faculdade -, vamos fazer uma grande mudança mexendo nos pequenos detalhes: vamos dizer então ‘RBSTV, a gente faz COM você’!”. Os caras devem ter dado pulos de felicidade, se abraçado na reunião, chorado envoltos naquela fantástica visão do cara.. E cá estamos nós vendo outra musiquinha e slogan surgindo de novo…

E, como publicitário, eu prevejo que, até o final deste ano, vai aparecer por lá um estagiário novo, do 5º semestre e ainda daquela ala de revoltados – que todas as turmas tem – e vai cravar: “Galera, vocês falaram que trabalham mais do que as pessoas sabem, depois falaram que esse trabalho todo é só pra mostrar as pessoas que não estão aqui, depois resolveram que as pessoas não estão lá fora, e sim, ajudando a fazer o trabalho, ou seja, dividiram a responsabilidade dessa M**** toda com elas… vamos fazer o seguinte, vamos dizer logo que o nosso objetivo é simplesmente não existir, que a RBS é toda das pessoas, as pessoas acham super-hiper-extra legal ser o centro das atenções, elas que fazem, elas que aparecem, elas que mandam, ELAS DOMINAM… isso é muito ‘cool’, ‘style’, ‘fashion’, sacam!?! Vamos dizer logo que a ‘RBSTV é você!’, assim o povo vai amar sentir-se dono disso tudo..”

E aí, amigo, vão acabar te convencendo que essa bomba é sua… é mole?

Tá! E aí? Quem deu permissão?

Muitos altos e baixos, mesmo assim esse pessoal se aproveita da fama alheia para se promover… Olha lá o Zé Roberto, com o manto sagrado tricolor, no site internacional da FIFA:

E nem avisam!
Depois ficam se fazendo pra admitir o nosso mundial interclubes… pra colocar o Corínthians, que ganhou aquele torneio esquisito em janeiro de 2000 (não me pergunta o que ele fazia lá), que teve também o Real Madrid (não me pergunta porque – de novo), não teve o Palmeiras, campeão da libertadores 99 (não me pergunta porque 3, o desafio final) nem o Jubilo Iwata, campeão asiático de 99 (não me pergunta porque 4, deu a louca na família Blatter!)…. mas enfim! Ainda bem que não vivemos de papéis oficiais e sabemos – TODOS NÓS – que o campeão do mundo de 2000 é o BOCA! E fui.