Marcado

Tu abre os olhos quando acorda e elas estão lá. Em bandos. Ocupando todos os cômodos da tua casa. Na TV, no rádio, no computador, no telefone celular. É tudo muito sufocante, inapelável, não tem como escapar. Tu sai pra rua e dá de cara com mais centenas delas. Muito maiores. Muito mais agressivas. 
A invasão do nosso cotidiano pelas marcas é algo tão bem arquitetato que não há subterfúgios: hoje o Branding (‘’MARCANDO’’ ou, mais tecnicamente, algo como o gerenciameto da marca) é praticado por tudo quanto é empresa. Tu corre pra fugir de uma grife e acaba tropeçando em outra.
O grande problema acontece quando o anunciante perde um pouco a noção do limite entre ser patrocinador ou ser dono da idéia, ato ou evento ao qual vincula sua marca. Essa extrapolação costuma causar uma rejeição por parte dos consumidores em potencial.
Num mundo em que muito se fala em sustentabilidade e responsablidade social, as pessoas querem, sim, que as empresas se preocupem com temas como cultura e meio ambiente. Mas daí a se apropriar de um evento, por exemplo, como quem diz ”Minha empresa está sendo boazinha com vocês, está proporcionando algo que sem a gente vocês não teriam”, nesse tom patriarcal mesmo, há uma diferença gritante.
Isso é Branding com problemas. Não atinge os objetivos porque causa descontentamento ao invés de envolver positivamente as pessoas. E quando essas pessoas perceberem que a melhor arma contra alguém que visa sobremaneira o lucro é justamente não dar lucro a esse alguém ao invés de dar mais visibilidade ainda a ele, todo o esforço de gerenciamento da marca vai acabar saindo pela culatra.
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Infinitas Possibilidades

Se não está no Google, não existe. Quantas vezes você já ouviu essa piadinha? Ela deve ter a idade do próprio mecanismo de busca. E ficou tão enraizada na cabeça das pessoas, que deixou de ser piada há muito tempo e se tornou uma espécie de slogan extra-oficial do Google por aqui.
 Fácil perceber que a Google-dependência acometeu um número mais avassalador de pessoas do que a mais assustadora das previsões da OMS para casos de gripe suína. Experimente! Pergunte às pessoas à sua volta o que mudou na vida delas depois que descobriram essa maravilhosa ferramenta. Certamente choverão respostas das mais variadas, mas dificilmente alguém não vai ter nada a dizer a respeito. 
Apesar desse caráter onipresente, a marca Google (ainda) não é a mais valiosa do mundo. Perde para a Apple e para a IBM. Repare, duas outras marcas relacionadas a comunicação/internet/etc. Alias, das 10 marcas mais valiosas de hoje, 7 são desse segmento. Alguém não apostou em Coca-Cola e McDonalds entre os 3 intrusos? 
Esse número mostra, de forma exagerada, o quanto essa tal de internet borbulha em oportunidades. Mas hoje eu li uma pesquisa muito interessante da FGV que mostra que 1/3 dos brasileiros não tem interesse em usar a internet e que mais da metade das pessoas não vê necessidade em usá-la com freqüência. 
A pesquisa se aprofunda mais, a ponto de chegar à conclusão de que não basta disponibilizar computadores para promover inclusão digital. O debate é interessante, mas ao me deparar com um numero tão expressivo de pessoas optando por não ter um contato excessivo com a grande rede, uma pergunta esperançosa ocupou a minha cabeça: Será mesmo que precisa estar no Google pra existir? 
Quando se fala em inúmeras possibilidades, é preciso entender que elas aparecem também offline.