Interligado: reloaded

Mais de um ano depois do pessoal aqui no blog ter começado a escrever colunas semanais sobre nossos assuntos preferidos, só agora fui me dar conta de que nunca cheguei a postar o video que inspirou o tema e o título de “Tá Tudo Interligado”.

Vários posts se passaram (ainda que alguns matadáços em forma de quadrinhos!) e o video ainda hoje me causa um certo “maravilhamento” com a Web e questões como produção e distribuição de conteúdo, direitos autorais, privacidade, mídia digital, folksonomia, democratização da informação, enfim, temas ótimos para reflexão 🙂

O autor do video é Michael Wesch, professor do Kansas State University, e a versão abaixo foi recentemente atualizada pelo mesmo.

Com vocês, porque tá tudo interligado:

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Brasil on-line, Brasil off-line

• 24% da população brasileira possui computador;
• 17% tem acesso à internet;
• 47% nunca usou um computador;
• 59% nunca usou a internet.

Os números são do TIC Domicílios 2007, divulgados esta semana* pelo Comitê Gestor de Internet do Brasil; a amostra foi de 17 mil domicílios em área urbana.

Outros dados interessantes:

• As LAN houses se tornaram o local mais utilizado para o acesso à internet no país (49%), passando à frente do acesso domiciliar (40%). E dá-lhe classe C!
• Penetração da banda larga já atinge metade das conexões;
• O acesso à internet pelo celular é de apenas 5% – o mesmo porcentual dos últimos 3 anos (número que com certeza vai crescer em 2008 em função das redes 3G);
• A maioria absoluta dos celulares em operação no Brasil em 2007 era de pré-pagos (90%), contra apenas 10% de pós-pago.

O relatório completo pra download se encontra aqui.

(*) Maldita pesquisa, que devia ter saído quando eu tava fazendo a monografia!

Infectados pelo Vírus do Orkut – grandes merdas

Se o cara explode uma bomba num avião sob alegação de monstrar o quanto o esquema de segurança do aeroporto é furado, então ele deve ser idolatrado? Explico:

O que aconteceu?

De ontem pra hoje rolou um vírus lá no Orkut. Bastante engenhoso, não precisava clicar nem nada, era só ver o scrap e ele entrava em ação: adicionava seu perfil à comunidade “Infectados pelo Vírus do Orkut” e disparava o mesmo scrap pra todos os seus amigos, numa reação em cadeia que travou o Orkut e bloqueou o perfil de várias pessoas. Em 30 minutos, essa comunidade foi de 0 a 390 mil membros (perfis atacados).

E quem fez isso?
Rodrigo Lacerda, do blog Ctrl+C. Ele descobriu como fazer, foi lá e fez. Pelo que entendi, o tal vírus não se instala no computador da pessoa – apenas usa a plataforma do Orkut como meio de propagação. Portanto, independe do navegador de internet ou sistema operacional para se propagar. Pois é, engenhoso. Rodrigo disse que a intenção não era se promover (nem hacker ele é), mas sim demonstrar o quanto o Orkut é vulnerável e se divertir com a merda que deu. Acredito no cara.

E o Orkut, o que fez?
Nos bastidores: passou a madrugada corrigindo a falha e apagando os scraps maliciosos. Hoje de manhã, aparentemente, tava tudo resolvido. Publicamente: até agora não se pronunciou, lá ninguém sabe, lá ninguém viu. Se eu fosse o Relações Públicas, assumiria a falha e ainda faria um convite para Rodrigo conhecer o escritório do Google em São Paulo; ele viria todo animado, faria várias fotos e nos acharia o máximo; as pessoas com perfil bloqueado também.

E eu com isso?
É neste ponto que eu queria chegar. Não aconteceu nada com meu perfil, só fui saber hoje através da repercursão na “blogosfera”: muita gente relatando o fato e uma enxurrada de comentários que vão desde “Rodrigo seu idiota travou meu Orkut vai pra PQP!” até “Rodrigo você é o novo rei da internet eu te amo parabéns!”.

Na minha honesta opinião, quem acha que o cara devia ir pra fogueira são pessoas que confiam na internet tanto quanto em suas mães e são incapazes de perceber que a rede é uma baita prostituta que todo mundo “usa” (em todos os sentidos), e que, portanto, devem tomar cuidado para não se apaixonar: uma hora ou outra (às 3 da manhã, por exemplo) o romance pode acabar e o coração do teu perfil será quebrado. Uma recomendação: desista de tentar fazer o Orkut sair desta vida – uma vez rede social, pra sempre rede social (diz um outro ditado). É isto – e apenas isto – que ele é.

Aqueles que idolatram o cara por sua “fantástica façanha”, todavia, são uns idiotas incapazes de perceber que o ato nem foi lá grande coisa. Tudo bem, por algumas horas ele importunou o Google e tirou do ar o site mais acessado no Brasil, ok, reconheço que deve haver mérito pra isso. Mas… e daí? Isto não tem a menor importância. Que vá desmantelar o crime organizado, que vá desvendar os mistérios do DNA humano, que vá estudar como galáxias se chocam com buracos negros (vocês viram isso?). Derrubar o Orkut pode ser divertido, mas é tão relevante pra humanidade quanto saber como foi o último show Sandy & Junior juntos (a mãe deles chorou, pobrezinha).

E além do mais, até onde eu me lembro invadir sites é crime.