Levando na esportiva

Continuo aqui a minha cruzada para desqualificar qualquer outro esporte que não seja o futebol (único e digno representante da categoria). Após atirar na vala o basquete e o golfe, hoje chegou a vez de aniquilar completamente a percepção mundana sobre dois grandes “esportes” mundiais:
Fórmula 1
Vamos pensar sobre o que acontece na Fórmula 1: o piloto entra no cockpit, senta no banco, ajusta o mesmo pra ficar o mais confortável possível, liga tudo e, através de botões, controla um aparelho eletrônico. Pessoal, Fórmula 1 não é um esporte, é um jogo de videogame! Prova disso é que a torcida não é aquela massa ensandecida que faz a diferença, como no futebol; a torcida é apenas um bando de pessoas que estão ali pra sentirem inveja de quem está participando da brincadeira, tipo o pessoal que olha o sujeito jogando Xbox e fica afim de ter um. A coisa é tão videogamística que usa até o safety car, que nada mais é do que a versão automobilística daquele adulto que surge quando as crianças estão brigando pelo videogame e diz “cada um joga cinco minutos e depois passa pro outro”.

Tênis
O tênis já começa derrotado pois se baseia em uma concepção de mundo totalmente distorcida: o objetivo do jogo é evitar a rede, e não acertá-la. E não há salvação nisso, é tipo aquele sujeito que já nasce elogiando o futebol-arte. Mas, não contente em já iniciar chafurdando na lama do fracasso, o “esporte” ainda se afunda mais por ser um jogo que premia e incentiva quem não gosta de praticá-lo – afinal, o importante não é ficar com a bola, mas sim atirá-la para o outro lado e jogar toda a responsabilidade para o adversário. É como se os jogadores realmente quisessem estar ali mas realmente não quisessem jogar. Ou seja, imaginem as duas pessoas mais indecisas do mundo tentando tomar uma decisão e com uma bolinha amarela nas mãos: isso é o tênis. A coisa é tão triste que até tentam chamar a atenção colocando umas Maria Sharapovas da vida gemendo alucinadamente, o que sempre dá uma incrementada na partida, mas não chega ao ponto onde podemos dizer que é relevante.
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Levando na esportiva

Quem me conhece ou acompanha o blog sabe que eu não sou uma daquelas pessoas que trata o futebol como uma religião, pois obviamente os aspectos de fanatismo, incoerência e fé no sobrenatural contidos em uma religião não representam sequer um milésimo do fanatismo, incoerência e fé no sobrenatural contidos em uma partida de futebol.
Mas e quanto aos outros esportes? Imagino que vocês devam passar noites em claro imaginando o que eu acho das outras atividades esportivas. Por isso inicio aqui essa nova série, que busca enaltecer ainda mais as qualidades do futebol ao discorrer sobre os defeitos de esportes como:
Basquete
O Basquete é uma atividade tão desinteressante que, para manter o sujeito atento à balbúrdia toda, viram -se obrigados a utilizar na nomenclatura do esporte duas expressões relativas ao fim-de-semana: “cesta” (feira) e “garrafão”. Consiste basicamente daquela brincadeira onde amigos ficam jogando a bola um para o outro enquanto alguém no meio é o bobinho, mas com algumas regras pra tornar tudo mais oficial. Além de permitir uma verdadeira sinfonia de horror quando alguém esfrega o tênis na madeira da quadra, o Basquete trata seus profissionais como amadores ao oferecer uma tabela colada à cesta, permitindo que os menos dotados utilizem-se dela para marcar o “gol”. É o equivalente esportivo a andar numa bicicleta de rodinhas.
Golfe
Muitas pessoas definiriam o Golfe como uma cópia malfeita do Taco. Mas na verdade, o Golfe nada mais é do que uma partida intelectual de Taco: saem a correria, as casinhas, o gratificante trabalho em equipe e entra a monotonia “contemplativa”, quase indie. Além disso, quando o golfista coloca a mão no queixo e diz “ocorre-me que, para esta tacada, a performance ideal será realizada apenas por um taco 9-iron“, percebe-se que, em sua cabeça, o sujeito pensa que está fazendo algo como escolher se emprega a análise de discurso pela ótica do Foucault ou do Fairclough. O que mais desqualifica o Golfe, entretanto, é o fato de seus praticantes utilizarem calças de gente velha, cinto e sapato. Ou seja, no final das contas, a definição ideal para o esporte seria “uma partida de Taco organizada por uma biblioteca”.